Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Insuficiência cardíaca

A insuficiência cardíaca (ic) não é, em si, uma doença. Ocorre, de forma aguda ou crônica, quando a bomba cardíaca falha, ao ser incapaz de impulsionar o sangue que recebe para todo o organismo, para atender as exigências nutritivas teciduais. Assim, reduz a quantidade sangüínea a órgãos vitais, tais como o cérebro, os rins, o próprio coração, - o que acarreta numerosas implicações clínicas e, em sua fase mais avançada, adquire aspectos de malignidade.  O seu reconhecimento não é difícil, o que se faz por uma linguagem constituída por sintomas e sinais acessíveis ao conhecimento do leigo, desde a sua fase inicial. Cabe ao profissional da área da saúde a identificação de suas causas, de forma cuidadosa, o que influencia não só o prognóstico mas também a forma como deve ser tratada. Nunca é um diagnóstico final nem deve ser considerada como evento de boa evolução e tratada empiricamente, mas de forma eficaz, para que lhe previna e reverta a progressão ou se lhe configure a estabilização.  Ao reduzir a quantidade de sangue adequada à função dos rins, causa retenção de água e sal orgânicos: - contribui para aumentar o volume sangüíneo do organismo; gera a formação de inchaço (“edema”), inicialmente localizado nos tornozelos. Este tende a progredir durante o correr do dia e estender-se às pernas e às coxas. Quando compromete o ventrículo esquerdo (câmara esquerda do coração), produz acúmulo de liquídos nos pulmões (edema pulmonar), o que causa dificuldades no ato de respirar (dispnéia); - quando o ventrículo direito (câmara direita do coração) é comprometido, os líquidos acumulados tendem a ser represados nos membros inferiores, onde a ação da gravidade se faz mais potente: - no fígado, a aumentar as suas dimensões (hepatomegalia); no baço, de maneira semelhante (esplenomegalia), ao mesmo tempo que acumula grande quantidade de liquido na cavidade abdominal (“ascite”).

A insuficiência cardíaca afeta geralmente ambos os ventrículos; dilata o coração em graus variáveis (cardiomagalia) e, em face desta condição, origina, ainda mais, a retenção de água, desta vez, a envolver toda estrutura corporal, condição que se chama “anasarca” (todo o organismo se apresenta inchado) e a apregoada designação insuficiência cardíaca passa a assumir o nome insuficiência cardíaca congestiva, como demonstração de sua gravidade.

Na ic, vários sistemas são envolvidos em sua gênese porem nem todos são ainda devidamente conhecidos. Presume-se que se interelacionem, o que contribui para progressiva diminuição da capacidade funcional do coração. Entre estes, enfatizam-se o sistema nervoso simpático, o renina-angiotensina-aldosterona, as substancias vasodilatadoras (endotelina) e as constritoras (óxido nítrico), as inflamatórias etc. com as mais diversas graduações.

A sua forma aguda, quase sempre fatal, deve-se ao infarto agudo do miocárdio; as crônicas são conseqüentes à hipertensão arterial (“Pressão Alta”), a doenças infecciosas, tais como a chagásica, viroses (´rotovirus´) etc; às cardiopatias congênitas, às adquiridas (febre reumática), às valvulares, às isquêmicas (doença coronária), à hiperfunção da glândula tireóide etc.

Para o leigo, os sintomas reveladores da insuficiência cardíaca fundamentam-se com o cansaço fácil, a tosse, o chiado no peito, a fraqueza, a dificuldade na respiração ao deitar-se o paciente com travesseiro baixo, a palpitação, a diminuição do volume urinário, o aumento de peso, a dor abdominal, a formação e evolução de inchaço nos tornozelos. Estes sintomas variam muitas vezes de pessoa a pessoa. Umas apresentam tosse; outras, edemas. Em todas, seja o recém-nascido ou a criança, ou o adulto ou o idoso, muitos sinais, nestes, são visíveis, tais como a dilatação dos vasos do pescoço, a palidez, o arroxeamento dos lábios, o aumento de volume do abdome etc.

Vários exames médicos completam-lhe o diagnóstico, em que cada um se relaciona com o aspecto da doença que a origina. Entre estes, destacamos o convencional eletrocardiograma, o RX do tórax, exames bioquímicos, ecocardiografia, cintilografia, além do cateterismo cardíaco, a tomografia computadorizada, a ressonância magnética, as provas de função pulmonar, as sorológicas, inclusive, como refinamento, a manitorização pelo hormônio natriurético cerebral.

A insuficiência cardíaca não deve ser negligenciada. Não é de se surpreender que muitas de suas formas podem evoluir sem responder adequadamente ao tratamento, quando se torna, então, uma causa de transplante do coração em que, também, não falta espaço para o emprego das células tronco.

De maneira geral, a ic, conforme se manifeste, responde adequadamente ao tratamento não-farmacológico (repouso, oxigênio, restrição de sal e água, etc.); ao farmacológico (diuréticos, antagonistas da aldosterona, vasodilatadores periféricos, agentes inotrópicos, digitálicos, inibidores da enzima de conversão da angiotensina, aos antagonistas dos receptores da angiotensina II, aos betabloqueadores adrenérgicos, hidralazina e nitratos, a amildarona etc...).

Na realidade, nesta última década, o tratamento da IC sofreu inúmeras modificações, em que as drogas consideradas de rotina – de importância – tornaram-se paradoxalmente sem a mesma importância, em confronto com as que lhe eram contra-indicadas (os betabloqueadores), que se manifestaram com excelentes resultados a tal ponto de, na fase atual, a tratamento da ic baseia-se na prescrição destes + os inibidores da enzima de conversão, associados aos digitálicos, a espironolactona e diuréticos. Assim, a insuficiência cardíaca está sendo tratada de forma eficaz e correta. Neste particular, exige que o envolvimento médico seja mais abrangente.

Recorre-se ao tratamento cirúrgico, para correção da ic, quando esta se encontra secundária às cardiopatias congênitas, às valvulares, às isquêmicas ou à remodelação cirúrgica do coração, ao uso do marca-passo, a correção de arritmias etc.

Na realidade, o tratamento da ic exige, devido as suas inúmeras formas, – para que lhe seja tomada decisão adequada, mais que qualquer outro evento em medicina, a contar com  o conhecimento e a experiência necessários ao profissional da área da saúde. O seu objetivo consiste em melhorar a qualidade de vida do paciente.

Sr. Paciente, seja vigilante de sua própria saúde! Aprenda a ler os sinais e sintomas das inúmeras enfermidades, mesmo aquelas que se apresentam com diagnóstico difícil. Em suas mãos, a saúde, a vida abundante e qualificada. Em sua história clínica, mais de 95% do diagnóstico de suas enfermidades. Cuidar da saúde é exercício de cidadania.