Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

No meio do floresta amazônica, a maior festa do futebol feminino sul-americano

Pela primeira vez na história a região norte do Brasil sediou uma competição internacional de clubes. E coube ao futebol feminino propiciar isso. Durante os dias 18 de novembro e 2 de dezembro de 2018, 12 equipes disputaram a décima edição da Taça Libertadores de Futebol. Juntamente com Audax, até então atual campeão e o Santos, campeão brasileiro do ano passado, o Iranduba, equipe amazonense, como representante da cidade local, Manaus, completou a lista das equipes brasileiras que participaram dessa edição.

A participação do Iranduba propiciou alguns feitos inéditos para o futebol local. Com pouco mais de sete anos de existência, a equipe baré, que é octacampeã estadual e que já fora semifinalista do campeonato brasileiro em 2017, entrou para a história como a primeira equipe amazonense a disputar de uma edição da Taça Libertadores. Reforçada por atletas contratadas especialmente para a competição a equipe fez bonito e conquistou a terceira colocação na competição, de forma invicta, um feito inimaginável para um futebol que sequer chega a ter 1.000 pessoas de público médio em sua versão masculina. É certo afirmar que o futebol feminino no Amazonas já é o esporte com maior expressão nacional, com grande cobertura por parte da mídia local e interesse do público. Mais surpreendente ainda é aferir que a equipe possui uma estrutura composta por profissionais com vasta experiência no esporte, o que certamente é um agradável indício que o seu futuro será ainda mais próspero. Se o título máximo sul-americano não veio desta vez, certamente o aprendizado obtido será essencial para o que ainda virá pela frente.

O título acabou sendo conquistado pela equipe colombiana do Atlético Huila, que levou a melhor frente às três brasileiras. Na primeira fase, eliminou o Audax, no critério de desempate, por ter marcado um gol a mais, 6 x 5. Já na semifinal e final as vitórias vieram nas disputas por pênaltis, diante o Iranduba e o Santos. Ainda assim, engana-se quem acredita que a conquista veio por mero acaso. A equipe colombiana, que possui apenas dois anos de idade, se mostrou muito forte e bem entrosada, sendo plenamente merecedora por levantar a mais importante taça do futebol sul-americano. Por fim, cabe destacar também o bom futebol apresentado pelo Santos, vice-campeão da competição. Com quatro vitórias consecutivas, “As Sereias da Vila”, que contaram com grande apoio do 3B, equipe local rival do Iranduba, chegaram à final como grande favorita para a conquista daquele que seria seu terceiro título da competição. O gol logo no primeiro minuto da partida final apenas reforçou esta tese que acabou vindo por água abaixo.

O crescimento da qualidade do futebol feminino é nítido. Ainda assim cabe ressaltar os gigantescos espaços vazios em campo ao longo das partidas, certamente por conta de uma questão básica que diferencia atletas homens e mulheres, o preparo físico. Muito por conta disso, não é um absurdo afirmar que o atual futebol jogado pelas mulheres se assemelhe ao que os homens praticavam em tempos quando o preparo físico não era um requisito tão essencial aos atletas. Talvez por isso, no feminino as grandes jogadoras façam tanta a diferença, ao contrário do que acontece no masculino onde a força do grupo é o diferencial. Outra questão, esta destacada pelo grande Aderbal Lana, histórico técnico do futebol masculino, e auxiliar técnico do Igor Cearense, no Iranduba, diz respeito à educação das atletas. “Durante os treinamentos e até mesmo fora deles, elas se respeitam, e respeitam os profissionais. Isto no masculino, raramente aconteceu” ressaltou Lana.

Que possamos testemunhar nos próximos anos também a valorização deste esporte ainda tão ignorado pelas principais entidades de esporte.