Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A Quem Trair

O século 20 foi pontuado por grandes líderes. Eles ultrapassaram as fronteiras dos países onde viveram e foram ouvidos em muitos outros. É verdade que o século foi um período  de grandes tragédias,como as duas grandes guerras, e quase acabou com a espécie humana com um conflito nuclear. Contudo esses homens deram contribuição para outros refletissem sobre o governo e como ele deveria conduzir a nação. Charles de Gaulle chegou à conclusão que em política há um momento que se é obrigado a optar entre trair o pais ou eleitorado. Ele disse que preferia trair o eleitorado. Logicamente por uma causa nobre, é claro. Trair o eleitorado era abandonar o que prometeu a uma parte da população, trair o país era atingir a todos e também ás futuras gerações. O que se vê no mundo contemporâneo é que os líderes foram substituídos por chefes e estes traem, simultaneamente, o eleitorado e o país. Graças a essa habilidade são capazes de se perpetuar no poder, não mais com golpes de estado, mas com novas pirotecnias e promessas que os consagram nas urnas. São eleitos, tem mandato, mas não têm outro compromisso se não o de se perpetuar no poder com o seu grupo.

 

A máquina política triunfa quase sempre. Ela é uma minoria  unida que atua contra uma maioria dividida. A reflexão é de Will Durant. Cada vez que uma minoria se junta, estabelece uma estratégia de chegar ao poder, desenvolve táticas eficientes, e domina a nação. Há inúmeros exemplos na história recente. Um grupo unido vale muito mais do  que uma multidão sem rumo. Uma das ferramentas mais eficazes é a mentira, que como já disse alguém no passado, é preciso ser repetida exaustivamente até se tornar uma verdade. E hoje há meios de comunicação eficientíssimos para isso, como as redes sociais. É curioso que quanto maior a mentira, maior a chance de todos acreditarem, no dizer do führer. Ela se veste com a ficção e poucos param para perguntar se há ou não fundamento no que a maioria está acreditando. A verdade política se torna um dogma e por isso só pode ser contestada pelos traidores, quinta- colunas,  lesa pátria ou pelos que estão unidos contra o povo e a soberania nacional. Deu certo no passado e deu no que deu.

 

O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles. Passam a ser considerados “normais”. Quando Simone de Beauvoir constatou isso estava  mostrando que essas situações não tem data nem local para acontecerem Todas vez que as condições se tornam propícias  os escândalos se sucedem com rapidez e intensidade como uma porteira que se abriu para passar a boiada dos que não têm nenhum compromisso nem com o povo, nem com a nação, apenas consigo mesmo. Os mais hábeis são capazes de vestir as ideias menores com palavras maiores e desenvolver, na opinião de Lincoln, a demagogia. E com ela tudo se torna crível, e todos são chamados para escolher entre o bem e o mal, entre o povo e as elites, entre os donos da verdade e os mentirosos. Há um maniqueismo vigoroso. De que lado você está? Enfim, há lições que vieram do século 20 como a ensinada pelo Barão de Itararé que mandou dizer aos habitantes do Século 21 que os vivos são e serão sempre cada vez mais governados pelos mais vivos. A ética que se lixe. A quem se referia?