Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Adiós Alexandria

As bibliotecas sempre existiram e sempre existirão. Vão das mais sofisticadas como as do Congresso nos Estados Unidos, a do Louvre, a de Florença ou da Universidade de Coimbra.Todo mundo conhece biblioteca e tem uma de sua predileção. Até as mais humildes, e não menos importantes, como a biblioteca comunitária da Capela do Ribeirão, instalada em uma casinha da Sociedade Ambiental (Amigos) de Taiaçupeba, Mogi das Cruzes. São Paulo, onde a Mayra cuida dos livros e dos visitantes como se fosse a sua própria casa. Ela vive de doações generosas de editoras, está equipada com internet graças ao apoio de empresas, tem uma banquinha para as pessoas levarem livros e revistas que quiserem sem o compromisso de devolver. Mayra  diz que o que sobra nas prateleiras pode ser lido por muito mais gente em casa, e que até já começaram a devolver os livros. O ponto alto de tudo isso é o trabalho voluntário e a crença que a educação é a única forma de se construir uma sociedade solidária, mais justa e humana.

 

Não se sabe quem foi o primeiro bibliotecário do mundo. Alguns afirmam que as primeiras bibliotecas se formaram na Mesopotâmia, pelas civilizações babilônica e assíria e os livros eram de barro e escritos em cuneiforme. Não podiam ser derrubados.  Outros historiadores dizem que foi na China que se formou a primeira biblioteca e lembram mesmo de um imperador chinês que atacou o prédio, mandou queimar todos os livros, porque, dizia, tudo começou no seu governo... A mais famosa biblioteca da Antiquidade foi construída na cidade egípcia de Alexandria, no delta do Nilo. Ela não era suntuosa como algumas aqui citadas, mas estava no lugar certo, bem no encontro das civilizações ocidental e oriental e por isso tinha um acervo riquíssimo. Pegou fogo e muita coisa se perdeu, mas também muita coisa se salvou e graças a ela se preservou obras importantes da história da humanidade.

 

O Google anuncia que vai digitalizar milhões de livros. O governo alemão está digitalizando todo o acervo público. Editoras estão vendendo livros digitais e cada vez mais o mercado produz equipamentos para leitura digital. Isto indica que as bibliotecas vão acabar? Não. Ao invés de uma porção de livros nas mesas, cada uma vai ter um computador. Cada consulente vai  buscar seus assuntos nos softwares disponíveis e os livros vão estar na prateleiras para os saudosistas, os que gostam de ler no papel, e para decorar as estantes. Algumas com obras raras como o exemplar original do Capital exposto na Biblioteca Lênin, no centro de Moscou. O ambiente da biblioteca, com ou sem os livros de papel, capa dura, capa mole, é encorajador para convivência social e a leitura. Com toda essa digitalização toda as traças roedoras de celulose vão fazer uma manifestação contra os bits e bytes invasores.