Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

De Olho na Notícia

 Errar na publicação de uma noticia faz estrago em reputação de pessoas, entidades públicas ou corporações. Não faz diferença se o jornalista errou de boa fé ou má fé. O estrago está feito e o mínimo que se pode fazer é corrigir o erro. Da forma mais rápida possível e com a maior acurácia. Uma correção não pode ser  mais danosa do que o erro já cometido jamais. Não é folclore a correção de um noticiarista que, acreditou na primeira informação que viu de uma agência internacional e anunciou, ao vivo,  que o papa havia morrido. Corrigiu dizendo que lamentava dizer que o papa estava vivo. Ou seja uma vez divulgado nas inúmeras plataformas físicas ou digitais, reparar o erro é tão difícil como lançar um picadinho de papel do alto de uma torre e depois recolher um a um porque era um documento importante. O vento ajuda a que muitos deles não sejam jamais recuperados.

Assim é preciso prestar a atenção e ler com cuidado a informação que vai virar noticia. Em 1954, o presidente democraticamente eleito Getúlio Vargas, assinou o decreto que criou a Petrobrás. Era o auge de uma campanha nacionalista que vinha ainda da república velha, detonada pelo escritor Monteiro Lobato. Depois de grandes batalhas no Congresso, acusações recíprocas de entreguista de um lado e comunista de outro, grandes comícios populares e muito debate nos jornais da época, finalmente nascia a empresa. O que se seguiu foi uma comemoração estrondosa contra o imperialismo e contra as sete irmãs do petróleo capitaneadas pela Standard Oil Company, atual EXXON.  O presidente nacionalista, favorável a participação ativa do Estado na economia já havia criado outras estatais. Contudo o nome da empresa era Petróleo Brasileiro –Sociedade Anônima. Ou seja 49 por cento do capital seria privado. O governo ficaria com 51 e não cem por cento da empresa como pediam os nacionalistas. E isso nunca ficou claro para o público. 

Recentemente os aeroportos de Brasília, Cumbica, Galeão e Confins foram terceirizados. O termo divulgado não foi privatização, mas sim concessão. O Estado ficou com 49 por cento do capital, os investidores privados com 51. Logo quem gerencia os aeroportos são os particulares e não a Infraero. O mesmo se dá na Petrobrás, quem gerencia é o Estado. Cabe aos jornalistas apurar, entender e escrever de uma forma didática e simples que qualquer cidadão de mediana cultura seja capaz de compreender . Mas para escrever fácil e explicar, primeiro é preciso entender. Talvez, por isso seja mais cômodo repetir o que foi dito sem conferir no texto o que realmente ficou estabelecido. É compreensível que a emoção, o debate político, a ideologização de qualquer matiz influa na redação da notícia, uma vez que o jornalista está  imerso na sociedade. Contudo nada justifica divulgar uma informação errada. Nem mesmo uma boa causa.