Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Esporte Corporativo

 Há muito o esporte deixou de ser uma moeda política para se tornar uma  atividade econômica como outra qualquer. No século passado as conquistas esportivas, especialmente as olímpicas, eram utilizadas como propaganda política pelos estados totalitários. Eram uma reafirmação da ideologia do novo homem, do novo mundo. Assim, os nazistas queriam transformar seus campeões em exemplos da raça superior, capazes de acumular medalhas e destinados a, um dia, erigir um império que duraria mil anos. No espectro oposto, soviéticos de várias nações cultivavam o esporte como forma de reafirmar a supremacia da sociedade dita sem classe e de economia planificada sobre o capitalismo decadente e burguês. Nada disso vingou. O império nazista se afogou nas barbaridades que cometeu e o império soviético não resistiu ao apelos sensoriais da Coca Cola e do Mac Donald´s . 

O esporte saiu correndo para o abraço. Abraçou o capitalismo. As entidades mundiais que organizam as competições, sejam no inverno, ou no verão, nos estádios ou nas piscinas se converteram em empresas privadas  e na lógica capitalista devem dar resultado. O  que move a multidão não é mais a bandeira, os símbolos nacionais, as marchas aceleradas nem as saudações coordenadas. São os ídolos. Eles se tornaram celebridades, geradoras de grandes movimentações de dinheiro e uma pequena parte fica  nos seus bolsos. O suficiente para carrões, apartamentos de cobertura, villas, roupas exclusivas e tudo mais que o dinheiro pode comprar. Até acompanhantes célebres. O que restou do nacionalismo de antigamente foi reduzido a um pequeno emblema na camiseta de competição, e nas cores nacionais. Até atletas mudam de nacionalidade para defender outros países. Não há mais a pátria em chuteiras como disse o mestre Rodrigues.

As corporações esportivas se juntam às corporações econômicas e juntas planejam os eventos esportivos globais.Com a nova tecnologia, não há um canto do planeta que não possa acompanhar o evento ao vivo, apreciar os comerciais, marketing, slogans e símbolos que permanecem ao  longo de cada prova, durante todo o evento. Portanto, aceitar que uma olimpíada ou uma copa do  mundo de futebol, ou de rugby, aconteça em um determinado país é uma decisão estratégica. As primeiras perguntas são: quem vai bancar o evento, quanto os patrocinadores terão que investir e quem garante que os resultados serão compensadores e engordarão o balanço do final do ano. Esta é a lógica atual, boa ou má. Tudo gira em torno dos bilhões e quem vai embolsá-los. Ainda sobrou como moeda política a utilização da sede como propaganda de pujança nacional e do partido ou chefe de plantão. Muito pouco se comparado com o passado, mas ainda, sem dúvida, cobiçado por aqueles que querem usar o esporte como plataforma para sua permanência no poder.  Um arremate do velho panem et circenses.