Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Finalmente um superavit

Ter um superávit é uma boa notícia para qualquer país do mundo. Especialmente para aqueles que não estão bem na foto dos melhores alunos, do bom atendimento à saúde, no combate à pobreza, no aniquilamento ao analfabetismo ou no combate a corrupção. Os rankings são divulgados maciça e mundialmente todos os dias nas redes sociais e na mídia tradicional, com gráficos e infográficos, com fotos e vídeos. Isto quer dizer que cada vez muito mais gente toma consciência do que vai bem e do que vai mal no mundo. Afinal o atual estágio de desenvolvimento tecnológico da comunicação não nos dá outra alternativa se não a convivência global. Somos parceiros forçados em tudo, até mesmo na destruição do planeta, cuja face mais visível é o aquecimento global, e o dado mais estarrecedor é que nunca se teve um semestre tão quente no planeta como o de 2015. Até os intocáveis suíços, pela primeira vez puderam experimentar, por três dias seguidos, a temperatura de Copacabana, 33 graus. As vaquinhas nos Alpes prometem se juntar ás manifestações para combater o dragão da maldade, o dióxido de carbono. Portanto a ameaça é democrática e atinge a todos não importa em que posição  o país, ou a região, está nos rankings internacionais. O da sobrevivência da espécie humana antecede a todos eles. 

 

O Brasil está em posição de liderança no ranking das energias renováveis do mundo. Noventa por cento da eletricidade é gerada por hidroelétricas e aproximadamente 20%, em média, da frota de carros é movida a etanol. Pode-se dizer que o Brasil é a Arábia Saudita da energia renovável. Ele tem de longe o melhor potencial de produção de energia renovável por metro quadrado do que qualquer outro país do mundo. Há imensas possibilidades da utilização da energia eólica na matriz energética, uma vez que a linha costeira do oceano Atlântico gera um dos ventos mais fortes e consistentes do mundo. Há espaços para amplos parques eólicos para gerar energia elétrica a um custo competitivo. O Brasil também possui um das mais altas radiações solares do mundo, e com o avanço da tecnologia no setor, os equipamentos estão cada vez mais baratos e crescem as oportunidades para a instalação de pequenas usinas produtoras de energia nos tetos das casas e até mesmo de edifícios. É possível transformar o limão em uma limonada, ou o calor em energia para a refrigeração e o ar condicionado. É verdade que os outros rankings são muito mais divulgados do que o das energias renováveis, mais a importância do tema vai aumentando na medida que a água começa a chegar no pescoço de alguns com o degelo previsto de parte da Antártica e da Groenlândia. Ou seja está na hora da humanidade começar a construir a sua Arca de Noé do Século XXI, para enfrentar o calor do aquecimento global que está aí. Espera-se que Noé não esqueça do ar condicionado e de um bom freezer no barco....

 

O melhor bilhete premiado que o Brasil recebeu não é o pré – sal. É o potencial de aproveitamento de combustíveis renováveis. Os combustíveis fósseis são os grandes vilões da sobrevivência do planeta, e ainda assim compramos carros cada vez mais potentes, consumistas e poluentes para ficarmos encalacrados nos grandes congestionamentos das nossas cidades. Somos felizes, com as janelas fechadas, ar condicionado ligado, blindagem nas portas, filmes nos vidros, tevê no painel para assistir o Jornal da Record News, e outras mordomias.  A falta d´água ainda não nos incomodou o suficiente e continuamos achando que ela é uma commodity infindável. Desperdiçamos de um lado e a poluímos com as cargas de esgoto de outro. Portanto, como em um cenário tão favorável de sustentabilidade podemos agir de maneira tão irresponsável ? Não paramos de destruir as florestas, invadir mananciais, perpetuar lixões, e outros crimes contra a humanidade. A mudança desse quadro contraditório não depende do governo. Depende de cada um. É preciso mudar o conceito de felicidade, separá-la do consumismo exagerado, e entender que sem natureza não existimos.