Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Manda quem pode

Quem não conhece o ditado popular que resume bem a disposição de algumas organizações, do manda quem pode obedece quem tem juízo. É uma máxima do taylorismo, a administração de cima para baixo, sem a menor possibilidade de contestação por parte de quem está lá para obedecer. O chefe tem um mandato da empresa, ou da organização e vai dividindo esse poder com os escalões inferiores. Numa estrutura como essa todo mundo tem que ser chefe de alguma coisa. A ligação entre os diversos segmentos é o medo. Este comanda a produção. Todos temem a demissão ou o ridículo, hoje atenuado pela lei que restringe o assédio moral. Ainda assim tem empresa que põe o nome do funcionário no quadro quando ele não atinge a meta. Com foto e tudo.  Até mesmo as redações de jornalismo se contaminaram com isso e está compartimentada em chefes e sub chefes de alguma coisa. Dá status nas reuniões com colegas, afinal não basta apenas se apresentar como jornalista. Alguém já disse que é preciso parecer que se manda em alguma coisa, alguém pode acreditar.

 O poder é a base de apoio do Estado. Ele dá aos cidadãos o direito de obedecer ou não as suas regras. Mas ele também tem a força. Não proíbe pegar propina para favorecer uma determinada empresa, mas pode punir se isso for comprovado. Está na lei.  Se não estiver baseado na lei aprovada pelos representantes da  sociedade, é um Estado autoritário.Ele manda e todos obedecem sob pena de serem punidos severamente. Nas ditaduras mais sangrentas,a punição pode ser  a pena de morte, como na China, destino dos corruptos. Bala na nuca, paga pela família, como denunciam as organizações de direitos humanos. O Estado democrático permite que haja uma margem de manobra para se aceitar ou não as  determinações  capituladas nos códigos. Uma vez não cumpridas, ele se mune da força para obrigar a fazer. Há portanto uma clara distinção entre o poder e a força.

O poder pressupõe a alternativa de se fazer ou não. A força não deixa essa alternativa. Um homem pode chicotear um gato no sobrado que mora e deixar uma janela aberta. O animal tem a alternativa de pular ou morrer sob as chicotadas. Diz a tradição popular que o gato salta. Tem a esperança de escapar da queda e da morte. Se for agredido em um cômodo fechado, sem alternativa, está `a mercê da força do seu agressor. Só lhe resta atacá-lo ainda que tenha poucas chances de derrotá-lo. Há inúmeras situações sociais que o poder é exercido democraticamente e acatado. Tem mais poder quem lidera em determinadas situações. Mais liderança, mais poder. Um comandante de avião quando diz que é preciso atar o cinto de segurança é imediatamente obedecido pelos passageiros. Ainda assim alguém pode se recusar.   E correr o risco de quebrar o pescoço. Amadurecimento, cidadania, conhecimento, bom senso, liderança são os pré requisitos para se decidir. Foi com essa avaliação que os revolucionários se revoltaram contra os excessos da nobreza, contra os ingleses e contra o absolutismo dos Bourbons.