Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

No Pós Industrial

O mundo industrial se estruturou a partir da revolução industrial inglesa no final do Século 18. Como avaliam os historiadores marxistas ocorreu nesse período mais uma mudança no modo de produção capitalista. Desenvolveu- se o trabalho assalariado, a propriedade privada dos meios de produção, a divisão mundial de trabalho e as relações comerciais mundiais na venda de produtos manufaturados com valor agregado e a importação de matérias primas de baixo preço. As produções de concentraram  em fábricas e oficinas onde estavam os instrumentos de produção e o operariado se aglutinou. O centro dinâmico do capitalismo eram as “ fabricas” do mundo: Europa, Estados Unidos e Japão. A era industrial passou por diversas mudanças ao longo dos séculos seguintes até sofrer com os novos paradigmas da economia do século atual. 

O jornalismo não podia ser diferente. Também se industrializou, concentrou jornalistas nas redações dos veículos tradicionais como jornais, revistas, televisão e rádio. Eram os espelhos de fábricas de produção de notícias. Os proprietários se apropriavam dos lucros da empresa e davam a orientação editorial que bem entendiam. Como nas fábricas inglesas, jornalistas também trabalhavam até 15 horas. É verdade que com o aprimoramento do sistema democrático a opinião pública, consumidora de noticias, passou a pressionar pela busca da isenção e o comprometimento com o interesse público. As redações não chegaram a parecer a fábrica do Charles Chaplin, nos Tempos Modernos. Mas chegaram perto. Toda essa estrutura foi abalada e ameaça a vir a abaixo corroída principalmente pela quebra dos paradigmas tecnológicos.

Com a chegada da era pós industrial é preciso repensar os núcleos produtores de notícias. As empresas jornalísticas não possuem mais o controle da noticia. O público que era apenas consumidor, agora é também emissor e compartilhador. Muitas noticias chegam ao público antes dos veículos tradicionais. As vezes eles vão a reboque do que se convencionou chamar de mídia ninja. Participantes de protestos em junho de 2014, em São Paulo, geraram fotos, vídeos, textos e mostraram principalmente a ação da polícia. Os SMS e What´s app pulularam nos smart phones. Carros de reportagens foram queimados, jornalistas agredidos, e câmeras quebradas. Nem por isso a sociedade não acompanhou com detalhes as manifestações e seus slogans. Este é um exemplo do jornalismo pós industrial que tira o sono de proprietários, jornalistas e publicitários. A nova estrutura ainda não se consolidou e ninguém sabe para onde irá.