Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Nova Personalidade

Aparentemente o Brasil era um país de múltiplos partidos políticos durante a chamada república velha. Até a tomada do poder pelas oligarquias dissidentes, lideradas por Getúlio Vargas e seus companheiros, o poder político se concentrava no Partido Republicano. Ele existia em praticamente todas as unidades da República dos Estados Unidos do Brasil, fundada em 1891 com a promulgação da primeira constituição republicana. Ainda que existisse nacionalmente, o PR não era um partido nacional. Em cada estado tinha uma oligarquia que dirigia com mão de ferro o partido e indicava candidatos, se apossava dos postos públicos, exilava os resistentes e castrava a oposição com mecanismos carinhosamente conhecidos como “degola”. Na prática o Brasil, por mais paradoxal que pareça, era um país de partido único.

 

Tudo se resolvia sob o chicote dos que tinham o poder nas mãos, obtido pela violência, corrupção, poder econômico ou hereditário. Essa constelação que formava um único partido tinha setores líderes que dominavam a presidência da república e negociavam no congresso as maiorias para que os projetos de interesse da elite pudessem ser aprovados com uma mínima aparência de democracia. Era um jogo aceito por todos. O arco de alianças, ou base governista, ou maioria confortável era mantida graças ao poder federal de concentrar recursos que eram usados para manter estados sob  o controle federal. Aos municípios competia ficar dependentes do governo estadual. Era uma armação bem estruturada que mantinha a oposição acuada em um canto do parlamento, sem benesses, cargos públicos, verbas federais.Por isso, vez ou outra ela,  ou setores dela, tentavam um levante armado a que chamavam de revolucionário. Ser revolucionário era pegar em armas para tentar tirar o poder de um grupo de oligarcas e por nas mãos de outros. O domínio do edifício do poder estava nas mãos das oligarquias paulista e mineira, e os historiadores chamaram de “política do café com leite”.

 

Não existia um programa nacional do Partido Republicano. Variava de estado para estado, de  núcleo para núcleo.Uns eram mais positivistas que outros. Era uma confederação de partidos sob o mesmo nome que vivia no centro e na sombra do poder simultaneamente. Um verdadeiro ônibus que mantinha as estreitas portas abertas para outras camadas da população como profissionais liberais, ou representante das classes médias, ou mesmo militares. Era o alicerce e o topo do edifício do poder. Lembra muito o atual PMDB. Nada tão antigo, tão histórico e tão ultrapassado. Passado e presente convivem hoje no parlamento, ainda que, aos poucos a população comece a identificar as ações, não mais apenas pelos nomes dos caciques, mas do partido. Para o bem ou para o mal ele passa a ter nome. Isto pode levar setores da sociedade a votar ou vetar uma agremiação, com a vantagem que hoje, graças a tecnologia digital, é muito mais difícil fraudar urna do que na época da eleição “ a bico de pena”.