Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Partido Verde Oliva

Os militares estiveram presentes na história da república brasileira desde a sua fundação em 1889, mas por bom tempo não agiram como um partido político.  Foram eles que derrubaram o império comandados por um general monarquista e ocuparam os dois primeiros mandatos. Deodoro e Floriano. O primeiro mandou fechar o Congresso, o segundo governou de forma ditatorial. Na década de 1920 participaram ativamente dos movimentos conhecidos como tenentistas e não conseguiram derrubar a oligarquia do café com leite. O exército não conseguiu tomar o poder nem mesmo na Revolução de 1930. Mas tentaram.  O movimento foi comandado por um civil, o governador  do Rio de Grande do Sul, Getúlio Vargas. Quando chegou vitorioso a capital do Brasil, o Rio de Janeiro, enfrentou e venceu os ministros militares que afastaram o presidente Washington Luis e tentaram se perpetuar no poder. Vargas resistiu e assumiu como presidente do governo provisório.

Foi durante a ditadura do Estado Novo que o exército se organizou, tornou-se uma instituição orgânica e passou a influenciar decisivamente. Nasceu um embrião de partido verde oliva.  Graças a aproximação de Vargas dos Estados Unidos, ele se modernizou, obteve armas e enviou um contingente para lutar na Itália. Nesse período os generais tomaram uma importância na condução do país como nunca tinham experimentado, e nem mesmo toda habilidade de Vargas  conseguiu dominá-los. O ditador foi deposto por um golpe militar e os chefes  impuseram o nome de um deles para a presidência,  general Eurico Dutra. Daí para frente o exército esteve envolvido diretamente nas crises políticas que se seguiram: suicídio de Vargas, posse de Juscelino, renúncia de Jânio, instalação do parlamentarismo com João Goulart e o golpe de 1964.

Os militares ascenderam ao poder por 21 anos. A ideia de um salvacionismo, isto é uma intervenção cirúrgica e retorno do poder aos civis, se desfez. O exército passou a agir como se fosse um partido único, com uma doutrina própria, liderança institucional e monopólio do poder. E como todo partido dividiu –se em duas alas, a linha dura e a “sorbonne”. Elas passaram a disputar a presidência da república com visões diferentes da realidade brasileira, porém concordavam que deveriam permanecer no poder pelo tempo que entendessem achar necessário. A disputa pelo poder  entre  generais das duas facções quase provocou uma luta armada quando um grupo defendia a abertura política e o outro era contra. Bombas, espionagem, atentados, ameaças de golpe de estado, censura, torturas, reuniões conspiratórias foram realizadas pelo grupo contrário a volta da democracia que só ocorreu 21 anos depois do golpe civil militar de 64.  Desde então o partido  verde oliva deixou de existir sufocado pela constituição democrática de 1988.