Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Poucos Estadistas

O Congresso tem muitos políticos.Poucos estadistas. Estes olham para o país estrategicamente e buscam um norte para uma sociedade melhor. Os políticos se preocupam basicamente com a reeleição e que vantagens podem tirar ou para o presente ou para quando se aposentarem. Todos lutam desesperadamente pela reeleição, uns usam instrumentos éticos, a maioria não. Apela para o que der. Para muitos o mandato é uma profissão , um ganha pão, mantém a sobrevivência econômica. Para outros é um ganha propina na forma de depósitos no exterior, comissão na compra de grandes pedidos das estatais e fundos, ou pequenos agrados como viagens, reforma da adega, ou uma simples venda de uma influenciazinha ou de um parecer que quebra a resistência para uma expansão do porto em cima de um manguezal preservado. Outros se satisfazem como um padre de paróquia com pequenas vantagens, próprias do baixo clero. Para muitos reeleição significa manter as vantagens materiais, para outros é imprescindível não perder o status de excelência em enterros, batizados ou casamentos com direito a um jatinho da FABtur. 


Há um instituto que é transversal a tudo isso: as emendas pessoais dos parlamentares no orçamento da união. Ela é o principal fluxo que mantém viva a oração de São Francisco: “É dando que se recebe”. O material perene de campanha na “base eleitoral” é a emenda, o pouco de mel que se passa na boca dos eleitores e agrada o prefeitão, principal cabo eleitoral do congressista. Salvo exceções, é claro. O sistema lembra a República Velha com o troca troca com o mandonismo local, hoje o alcaide. Como suas reeleições são intercaladas a cada dois anos, um ajuda o outro, como velhos amigos, irmãos, camaradas e agora companheiros. Em quadro como esse as emendas são a boia salva mandato. Inegociáveis, ainda que sujeitas a receber um corte do liberador da grana, o executivo, com suas atribulações de cumprir suas próprias promessas e satisfazer o superávit primário, uma das três barras de sustentação da estabilidade econômica, criado por grego e apoiado por troianos. 


Por a salvo emendas e mandatos é preciso,por isso tirar do executivo o direito de corte. Cria-se uma nova lei que todas as emendas estarão contidas no orçamento de uma forma que não possam ser arrasadas. Isto tem uma importância tal para o plantel parlamentar que pode, até mesmo, decidir uma eleição para a presidência da casa. O grande público desconhece isso, para ele os parlamentares são uma espécie de vereadores federais. E são, salvo os estadistas. Vai também retirar do executivo o argumento que os cortes que faz nas emendas é para preservar os investimentos em educação, saúde e auxílios sociais. Entre eles a transposição das águas do oceano Atlântico para o  Báltico. Há forma de mudar essa estrutura? É dessa forma que, nas democracias tradicionais, se articulam os poderes do Estado? Como os pagadores de impostos, munidos dos preciosos títulos eleitorais podem intervir nesse quadro que se perpetua? São desafios para todos, e as respostas, certamente, são as mais diversas. Uma delas é : do jeito que está não pode ficar.