Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Pressa em noticiar

Não há mais como impedir que os assuntos que interessam a muita gente se tornem um grande espetáculo da mídia. É um fato real. Pode ser um julgamento transmitido ao vivo, com a anuência da justiça, uma sessão do congresso, uma reunião em uma comissão especial da câmara ou a escolha do chefe de uma religião. A transmissão com áudio e vídeo não é mais uma exclusividade da televisão, transformada em bits se propaga por outras plataformas e atinge as pessoas em seus carros, tablets, filas do metrô, telefones celulares e até mesmo nas telinhas instaladas nos elevadores dos prédios comerciais. Se isso é bom ou não para a formação de uma consciência crítica, há muita divergência. O fato é que são cada vez mais frequentes, só não toma ciência quem não quer.  

Um acontecimento que ganha a exposição contínua na mídia mobiliza muita gente, que, por sua vez, passa a pressionar o veículo  para completar as informações que foram divulgadas. Portanto, não basta dizer que foi escolhido o papa e seu nome. Por que escolheram um jesuíta e não um domenicano ou franciscano? Atropelados pela velocidade da propagação das informações e a pressão das redes sociais, os jornalistas atropelam as explicações e flutuam na superficialidade. Se a Igreja escolheu um jesuíta não é porque é simpático, ou latino americano, ou argentino. É porque professa uma atuação que espelha a tradição da Companhia de Jesus, ou seja, disciplina, rigor doutrinário, combatente pelos ideais de sua instituição. Os jesuítas sempre foram os soldados da igreja. Os críticos dizem que eram a milícia....

 

O jornalista  precisa parar com a sucessão de notícias commodities e avaliar a conjuntura. Os jesuítas tiveram o seu auge na expansão do império colonial ibérico e foram os principais responsáveis pela catequização dos índios da América Latina. Tinham uma força imensa nas estruturas do Estado e influenciaram sua condução. Quando batizavam um índio, ele automaticamente se tornava um cidadão português.No final do século XVIII foram expulsos de Portugal e do Brasil por Pombal. A Igreja acabou com a ordem, teoricamente deixaram de existir. No entanto, sobreviveram na Europa Oriental  e aos poucos voltaram. É dessa instituição que  emerge o último papa. É um jesuíta. Assim como foram Anchieta, Nóbrega, Vieira e Ricci. Isto pode explicar a direção que vai dar a Igreja Católica. O jesuíta é reto, não faz concessão, é culto, sabe onde quer chegar, não procura caminhos alternativos. O tempo vai dizer se é isso que a instituição precisava para reagir a crise que sofre nos últimos tempos.