Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Raíz do Problema

A França não vivia uma crise econômica profunda quando rebentou a revolução. Entre tantas preocupações da burguesia local estava o endividamento do Estado. O governo emprestava muito dinheiro e depois não podia pagar. Pegava mais e mais. Aumentava os juros para atrair os financistas. Com isso aumentava a dívida e as condições de saldar eram cada vez mais remotas. Boa parte dos impostos e empréstimos eram dedicados a guerras e financiar as forças armadas. Para educação, saúde, habitação, nada. Não era preocupação da realeza como o povo vivia, nem se os miseráveis, ou sans culottes, iriam ou não sobreviver ao próximo inverno. È verdade que parte dos impostos sustentava uma cambada de parasitas pendurados no Estado através de postos públicos, regalias, grandes operações econômicas. O ralo dos impostos não poderia, sozinho, ter movido o profundo movimento que mudou a face da França e do mundo, e inspirou no Brasil a Tiradentes e seus amigos. Havia muito mais.

O Estado brasileiro tem um orçamento em 2014 de 2 trilhões e 300 bilhões de reais aproximadamente. Uma montanha de dinheiro, que equivale a uns 36 % do PIB. O caixa da previdência social consome 20 por cento. Sob a rubrica previdência se escondem os que pagaram 35 anos, e recebem pouco. Os que pagaram pouco, como os servidores públicos, e recebem muito, salário integral, e tempo menor de contribuição, além de outras benesses. Há também os que não pagaram nada, uma vez que não podiam, como os trabalhadores rurais. Recebem um salário mínimo. Muitos gritam que se aposentaram com seis ou sete salários e agora recebem dois ou três. O caixa da cultura vai faturar 0,11% do orçamento.  Ciência e Tecnologia 0,37%. Saneamento 0,15%. Esporte 0,6%. Habitação 0,02%. Os melhores: educação 3,4% e saúde 3.91%.  Só para citar alguns setores.

O déficit atual do Estado brasileiro consome 42.42% de tudo que é arrecadado. Para bancar essa conta ele teria que economizar, aumentar o superávit primário. Assim diminuiria a dívida e poderia gastar menos com os juros. É verdade que se desse um calote nessa dívida interna atingiria principalmente os bancos. Nunca eles foram tão lucrativos como hoje. Mas quebraria o país. Ano a ano a dívida cresce uma vez que não sobra dinheiro para pagar o principal. Por isso os gestores rolam a dívida e vão empurrando até o  dia de são nunca. Essa prática não é nova no Brasil, vem desde o período  conhecido como República Velha. Portanto não é a dívida do Estado que vai gerar um movimento de massa capaz de derrubar a Bastilha . É preciso também uma causa emocional, como a rainha mandando o povo comer brioches com a falta de pão. Ou de se construir uma manada de elefantes brancos para uma copa dedicada aos que podem pagar ingresso e uma  empresa que fatura bilhões. A FIFA.