Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A Lei da Excelência, conforme Frank Sinatra e Chacrinha

Filho único de pais italianos, que chegaram à Nova York no princípio do século XX, Francis Albert Sinatra, nasceu na pequena cidade de Hoboken, New Jersey, em 12 de dezembro de 1915. Daqui alguns meses, o mundo destacará o centenário deste menino que se eternizou como Frank Sinatra.

O começo de sua carreira aconteceu durante a década de 1930, em alguns clubes de sua cidade, onde se dividia entre mestre de cerimonias e, na ausência de outras atrações, na função de cantor. Seu estilo requintado e ao mesmo tempo informal caiu no gosto do publico que logo passou a se impressionar também com sua qualidade vocal, que se tornou quase que inconfundível ao longo dos tempos. Possuía um talento nato para emitir notas longas e fluidas, sem que precisasse parar para respirar, o que fez com que passasse para a história como “The Voice” (A Voz).

De forma quase que imediata se tornou um sucesso mundial, um dos maiores interpretes da história da musica em todos os tempos. Seus maiores sucessos, até os dias atuais, são “Fly Me to the Moon”, “My Way” e “New York, New York”. Um artista completo que se enveredou também no cinema como ator, algo que embora não fosse a sua maior especialidade, o fez ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua esplendorosa atuação em “A um passo da eternidade” em 1953.

Cantar as músicas já interpretadas por Sinatra passou, ao longo dos anos, a ser muito mais do que um simples “querer”, e sim um desafio. Certamente, um selo de qualidade para aqueles que se aventuram a fazer isso, de forma minimamente responsável. Talvez por isso tão poucos artistas aceitem este desafio, ainda que o risco de cair no ridículo só não seja maior, que o respeito em não se estragar uma obra prima. Por conta disso, admiro muito todos aqueles que seguem esta postura e adotam a linha de não cantar suas melodias, uma vez que elas e Sinatra formam um só organismo. Ainda assim, é inegável afirmar que existem boas e muito poucas exceções. No Brasil, por exemplo, uma pessoa que tem qualidade para cantar Sinatra, é Cauby Peixoto, o Professor. Ao seu lado, no mundo inteiro, podemos contar nos dedos de uma mão, os demais.

Cauby e tantos outros artistas nacionais costumavam se encontrar, sobretudo nos anos 1970 nos programas apresentados por Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Juntamente com eles, milhares de pessoas comuns, conhecidas como calouros, costumavam aparecer para cantar. Quando cantavam muito mal, eram interrompidos com o som de uma buzina e ganhavam como troféu, um abacaxi. Quando conseguiam chegar, ao menos, ao final de suas apresentações, ouviam o Velho Guerreiro perguntar a um público animado: Ele vai para o trono ou não vai? A verdade é que jamais um calouro chegou ao trono, e desconfio que isto não tenha ocorrido por 2 motivos. O primeiro, por conta de sequer haver um trono no programa. O segundo diz respeito a lei promulgada, tacitamente, por Sinatra e Chacrinha: “Ninguém tem condições de chegar ao trono cantando Frank Sinatra”.

Por mais que tenhamos a obrigação de buscarmos a evolução, pessoal ou profissional, de tentarmos ir além dos limites previamente traçados para nós mesmos, e de superarmos os maiores obstáculos que surjam a nossa frente, há algo que é salutar: precisamos ter a humilde de saber o momento de buscar a contribuição daqueles que, seja por qual for o motivo, possuem condições de potencializar a nossa possibilidade de sucesso. Mais que isso, cabe termos a certeza, que sempre haverá coisas que para serem feitas com excelência, precisarão ser realizadas por outrem. Isto não é sinal de fraqueza, e sim, de inteligência. O nosso compromisso tem que ser com a excelência, e qualquer coisa que façamos distantes disso, será pura traição, a nós mesmos... e por isso mesmo, a pior delas.

Afinal saber quem faz melhor e buscar contar com esta pessoa, é melhor que achar que sabe fazer e levar isso para frente.