Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A Morte e as Redes Sociais

Trata-se de um assunto espinhoso e que muitos de nós tendemos a evitar. No entanto, talvez, ao tentarmos falar sobre ele com maior naturalidade, possamos temer menos e, o que é menos pior, entendermos como nos comportar quando depararmos com situação similar.

Recentemente, de forma lamentável, passei por três diferentes experiências relacionadas a morte e o uso de ferramentas e sistemas de Internet e Redes Sociais. A primeira vez, disse respeito a uma amiga virtual que informou em seu perfil no facebook que sua irmã tinha falecido. Não a conheço pessoalmente, apenas pela Rede Social, e me limitei a dedicar palavras de força para ela. Curioso que a falta de proximidade com ela, não impediu que realmente ficasse chateado com o ocorrido, mas não deixa de ser um sentimento estranho, até demais, pois o fato de sequer ter visto esta amiga virtual, tão pouco conhecer sua saudosa irmã, me deu certo vazio. Algo que o mundo virtual, talvez, jamais terá condições de preencher da coisa.

A outra situação está relacionada com uma amiga que não respondia minhas mensagens já fazia muito tempo, para ser mais exato, quase um ano. Seu aniversário foi semana passada, e quando fui deixar uma mensagem de felicitações, li uma mensagem onde uma de suas amigas informava sobre seu falecimento que já fazia quase 8 meses. Vamos e convenhamos, o quanto realmente vale a pena considerar que temos centenas, e algumas vezes, até mesmo milhares, de "seguidores", se sequer temos tempo de saber se eles estão até mesmo vivos. Algo assustador que pode representar o quanto estamos mais preocupados em termos (amigos), do que sermos (amigos). Se é que não represente um total equívoco chamar seguidor de amigo.

Por fim, recebi uma mensagem a partir do e-mail de um amigo, também virtual, onde seu filho informava sobre a missa de sétimo dia. Neste caso, seu falecimento aconteceu a cerca de uma semana, mas novamente me assusta saber que sequer tinha ciência que ele já estava doente fazia certo tempo. Novamente a distância nos afasta, por mais que tentemos utilizar uma tecnologia justamente para diminui-la. A verdade é que não usamos a tecnologia que nos é oferecida e que já faz parte de nosso dia a dia em prol de qualificar as nossas amizades. Existem muitos novos meios modernos e baratos que nos permitiria estreitar de forma significativa a distância bem como possibilitar que utilizemos melhor o nosso tempo. No entanto, infelizmente, tudo indica que a busca é pela quantidade, no caso dos seguidores, e não pela qualidade na relação potencial que podemos desenvolver.

A morte é algo que nem sempre nos permite adotar ações racionais ou razoáveis, mas não podemos fugir de ter que se confrontar com ela da mais diferentes formas, sendo assim, será que há algo ou comportamento compatível para adotarmos ao nos depararmos com ela dentro do ambiente web?

Talvez sim, talvez não, certo mesmo é que devemos utilizar estas tecnologias de maneira a realmente qualificar a maneiras como nos relacionamos com nossos amigos, mesmo que estejam "fadados" a serem sempre virtuais.

Um forte abraço para três saudosos amigos virtuais: Milena, Alcina e Tadashi