Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A família que faz do Karatê, sua vida.

Meados de 2007, de mão dadas com o filho caçula de 8 anos, aquela sorridente mãe, Cida para os amigos, vai em direção ao ponto de ônibus, rumo a um destino, até então, inusitado, uma academia de Karatê. Enquanto os dois filhos mais velhos, Leo e Junior, de 14 e 18 anos, dividiriam seu tempo entre as aulas da escola e a ajuda ao pai, Edu, na oficina da família, o menor teria que preencher o seu tempo livre praticando algum esporte. Afinal, era muita energia a ser gasta e limitar o pequeno Cadu aos games e ao convívio com outros meninos nas ruas estavam fora de questão.

Em meio aos movimentos bem ordenados de seu mestre,o sensei Antônio Bevenuto, um sisudo pernambucano de gigantesco coração, o menino logo se enturmou. Para a família, logo ele pareceu mais centrado, ao menos calmo. Também pudera, as atividades físicas eram intensas e o menino logo que chegava em casa, após se empanturrar com as guloseimas da avó Nadir, já caía, quase que desmaiado, ainda com o kimono suado, no sofá. Tudo parecia muito intenso para uma criança. Um pouco de preguicinha infantil, ainda que sob o olhar atento do saudoso avô Dielson, acabou por tira lo dos tatames. Mal ele sabia que por pouco tempo.

O olhar apaixonado do filho do meio, Leo, garantiu que a família continuasse no esporte. A paixão se foi, mas o coração já fora flechado. Este amor logo se estendeu para todas aqueles que residiam aquela alegre casa localizada em Itapecerica da Serra, cidade próxima a capital paulista. Não demorou para que o pai, o irmão mais velho, recém recuperado de cirugia, a própria mãe e novamente o caçula passassem a fazer do tatame um lugar comum de convívio e de compartilhamento de todos os sentimentos. Tantos deles.

A vida sempre muito dura e no meio de tantos desafios,sobretudo financeiros, apenas uma família tão presente seria capaz de garantir o esporte como amor comum, um pulsar único de corações que parece bombear karatê pela corrente sanguínea. Conquistas municipais, estaduais, regionais, brasileiras, sul-americanas e panamericanas se multiplicaram de forma exponencial, se distribuíram ao longo de todos os integrantes da família e se somaram, até mesmo, as competições mundiais nos ‘states’, como Dona Nadir gosta de destacar, e na Europa. Romênia e Sérvia jamais voltaram a ser as mesmas. E Las Vegas, então...  que se curvou diante de nossos campeões?

Olhando para trás, difícil imaginar qual passo tenha sido o mais difícil, mas o fato é que nada parece ser limite para eles. Quando adentram quaisquer ginásios, ora para organizar, voluntariamente, competições, ou para competir, passaram a ser conhecidos como Família Cardoso, quase uma dinastia no Karatê Interestilos, e que irá se perpetuar diante os primeiros golpes certeiros dos pequenos Henrique, Yuri e da mais novinha de todos, a Duda, neta do patriarca da família, o faixa preta Edu, o irmão único preferido de Paula e Adriana rs rs rs....

Cerca de duas semanas atrás, após um árduo ‘contar’ de recursos, três membros da família estiveram em Córdoba, na Argentina, para representar o nosso país no campeonato sul-americano da competição. Ao retornarem, impossível não terem tido problemas nos limites de peso de suas bagagens. Juntos trouxeram 6 medalhas (2 Ouros, 3 Pratas e 1 Bronze)a maior quantidade levada por uma famíla. Algo realmente indescritível.

Recebidos em festa por seus amigos e conhecidos, as conquistas foram apenas um detalhe para aqueles que acompanham e têm a felicidade de ter o melhor desta família, Eles. Que Deus continue os iluminando e que possamos em breve estarmos comemorando e compartilhando outros momentos únicos, afinal, 2018 é ano de Mundial na Escócia.