Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A inovação tem que gerar a inclusão, a morte anunciada do touchscreen.

Tecnologia desenvolvida desde meados da década de 1960, sobretudo a partir do trabalho realizado por Frank Beck e Bent Stumpe, engenheiros da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear, para uma fábrica de televisão, o touchscreen, cuja tradução literal é “tela sensível ao toque”, é um clássico exemplo de inovação que tem seguido o caminho da disrupção.

Conceito criado a partir de estudos do norte-americano Clayton Christensen, a inovação disruptiva se caracteriza por buscar romper com os modelos tradicionais, o que costuma se efetivar a partir de uma aplicação inédita ou junto a um nicho específico, longe do destino original para o qual tinha seu uso previsto.

Ao contrário do que se espera em inovações sustentáveis, que visam a melhoria de performance, quer seja de forma incremental, a partir de pequenas evoluções, ou radical, com grandes saltos tecnológicos, as inovações disruptivas possuem pouca ,ou nenhuma, associação em direção da excelência, uma vez que costumam se aproveitar de brechas, não notadas por aqueles que usam tecnologias já consagradas em determinados segmentos. Por conta disso, este tipo de inovação costuma também receber a chancela de oportunista, o que está longe de ser um demérito.

As tecnologias, no entanto, não costumam padecer junto a cada um destes tipos de inovação. Ao longo dos anos, elas vivem fases incrementais, outras radicais, intercaladas por disrupções, não necessariamente nesta ordem. Não há regras. Os exemplos fervilham desde o século passado, como é o caso do automóvel que a partir do uso do motor a explosão, uma inovação radical na época, viveu uma série de evoluções incrementais e, também radicais, até o surgimento de novos combustíveis, que, embora não contribuíssem para seu melhor desempenho, tais como com o que aconteceu com o motor elétrico e/ou o eólico, certamente sinalizaram novos horizontes.

Há algo que o automóvel manteve ao longo destas décadas, que o faz tão imprescindível seu uso hoje e no futuro, e aqui não há nenhuma conotação relacionada a incentivar o uso do transporte publico e/ou de meios alternativos, tais como a bicicleta. Assim como aconteceu em nossa sociedade, ao longo de sua evolução, novos requisitos vêm sendo inseridos ao carro sempre visando garantir que o máximo de pessoas, o pudessem utilizar. Hoje em dia, a quantidade de motoristas que possuem alguma deficiência, alcançou, não apenas, em números absolutos, mas proporcionais, um patamar jamais visto. Carros com adaptações são produzidos em número cada vez maior para aqueles que não conseguem mover as pernas ou que sequer as têm, para deficientes aditivos e até mesmo visuais, por conta, principalmente de sensores e de tantas outras tecnologias.

O mesmo cuidado não está sendo considerado no uso da tecnologia touchscreen. O que, inicialmente, era pouco eficiente, teve seu desempenho evoluído incrivelmente ao longo dos anos, algo só comparável ao crescimento de sua aplicação. Hoje em dia não há um utensílio eletrônico que não contemple seu uso. Um caso de sucesso perpétuo?

Pois bem, temo afirmar, que uma tecnologia, produto e/ou serviço que não tenha como premissa básica a inclusão, está fadada a morte. Semana passada, presenciei um deficiente visual que ao sair de um taxi, foi em direção a um caixa eletrônico para sacar o dinheiro e voltar para pagar a viagem. Perguntado pelo fiscal se o taxista não aceitava o pagamento com cartão de crédito, o passageiro respondeu que a “maquininha do cartão” utilizava a tecnologia touchscreen e que por conta disso, a única forma de efetuar o pagamento através dela, seria informando a senha ao motorista. O que, cá entre nós, não é alternativa. Difícil acreditar que ainda não se pensou em nada que assuma o papel do “alto relevo” presente, sobretudo, no número 5 de qualquer teclado.

Creio que podemos parar por aqui.

Com a palavra as empresas que utilizam o touchscreen em suas operações e seus desenvolvedores.