Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A menina que (en)canta, um exemplo de Gestão do Conhecimento

O auditório estava lotado. Centenas de interessados em assistir a uma palestra que iria ministrar em poucos instantes sobre boas práticas em Gestão do Conhecimento. Contando de certa experiência, confesso que já tinha boas expectativas diante o público presente. A organização estava impecável, muito graças ao esforço de um grupo competentíssimo de abnegados que fizeram de tudo para que me sentisse em casa. Uma ótima oportunidade para compartilhar conceitos e iniciativas sobre este tema tão importante para o mundo corporativo. Enquanto isso, mais e mais pessoas chegavam.

Minutos antes, no entanto, a programação indicava a apresentação de um “momento musical”. Durante ele, integrantes do comitê organizador do evento iriam entreter ao público com algumas canções. Interessante preocupação. Logo, eis que uma menina de estatura mediana subiu ao palco com um belo vestido negro repleto de flores coloridas. Com uma beleza brejeira, ela, visivelmente, transpirava nervosismo. Pensei: “eita...não sei se ela vai chegar até o final da música”. Me enganei, e muito.

Não demorou muito para que aquela melodiosa voz preenchesse aquele espaço com uma delicadeza e afinação surpreeendente, ao menos para mim. Uma música após a outra, a interação com o público só aumentava. Em seguida outra jovem sobe ao palco, e com vozeirão único aumentou ainda mais a minha responsabilidade. Confesso que tremi rs rs rs.

Durante pouco mais de 40 minutos proferi a palestra a uma público participativo e conhecedor do tema. Coisa boa. Ainda assim, não saia de minha cabeça, o verdadeiro show da noite que tinha sido o momento musical que precediu a minha fala. Tão logo possível fui ao encontro da primeira das cantantes da noite e perguntei: “Nossa, como você canta bem. Faz quanto tempo que canta?”. Já bem mais calma, mas ainda, claramente cheia de emoção, ela respondeu: “Foi a primeira vez que cantei em público. Na verdade, quando comentaram que seria interessante que promovêssemos algo para entreter o público, pensei comigo: ‘eis o meu momento’, e aí propus este desafio para mim”. Ainda teve tempo de completar: “Ontem quando fui ensaiar, fiquei tão nervosa, que pensei em desistir. Só vim pois já tinha me comprometido com meus amigos”. Coisa boa.

Pois é. A gestão do conhecimento possui como base de muitos de seus conceitos a disposição das pessoas em compartilharem seus conhecimentos. Na verdade, suas competências, o chamado “conhecimento na prática”. Possuidora de um competência, no caso do talento de cantar, a bela cantora, durante anos, guardou isso para si. Poucos de seus colegas, na verdade, pelo que pesquisei, nenhum deles, tinham ciência disso. Ainda que ela tenha se arriscado, o fato é que sua competência passou a ser valorizada apenas a partir do momento que ela se prontificou a compartilhar. Quantas oportunidades ela pode ter perdido? Talvez nenhuma, quem sabe algumas. Mas o caso é que, logo que identificou uma possibilidade, ela a abraçou, e fez dela um grande momento. Se ela vai, ou não, se tornar cantora, isto pouco importa. O que realmente cabe é verificar quantos de nós, em nossos momentos pessoais e/ou profissionais somos presenteados com situações únicas, grandes oportunidades, e acabamos deixando-as passar, por inúmeros motivos. Alguns de nós, talvez a maioria, por não acreditar em nossa própria competência ou, até mesmo, por achar que aquilo não irá agregar qualquer valor para si. Uma pena.

Que bom saber que ainda há tantos que acreditam em seus caminhos e se propoem a fazer as coisas acontecerem. O céu também está muito orgulhoso disso tudo. 

Em tempo, quero agradecer imensamente aos queridos amigos goianos: Annelise, Daisy, Higor, Pâmella, Nathalia, Rüdger e Ximena.