Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Aroma e seus mistérios, solução para um montão de coisa.

 Embora possa não ser natural, tão pouco óbvio, é salutar que possamos considerar o aroma como algo de muita relevância em prol de alcançarmos a grande maioria dos nossos objetivos. O mero exalar agradável tende a conquistar a mais carrancuda das pessoas, nos momentos mais escuros, dentro dos locais ainda mais inesperados.

Quando estamos inseridos em situações meio estranhas e/ou de certo desconhecimento, muitos tendemos a classifica-las, apropriadamente, com o uso da afirmação “isto não está cheirando nada bem”. Neste caso, o pior dos aromas. Muito mais que o simples cheirar, o aroma traz consigo infinitas possibilidades. Em terras nordestinas, por exemplo, cheiro significa beijo, um claro prolongamento do sentir o aroma do cangote de outrem. Para os mais leigos, cabe lembrar que o cangote se situa próximo à área do pescoço. Onde exatamente? Bem...

O aroma também nos traz lembranças inesquecíveis, boas ou nem tanto. Semanas atrás tive a felicidade de conhecer uma simpática cidade pernambucana chamada Araripina. Terra do semiárido nordestino composta por pessoas coloridas, ao almoçar em um de seus restaurantes, me deparei com um prato de Baião de Dois. Muito mais que um “arroz com feijão” gourmetizado, que me perdoe os mais entendidos, ele me remeteu ao aroma da minha centenária vó Ruth, a melhor avó materna de todos os tempos juntamente com a sua, que está lendo este texto. Confesso que bastou esta lembrança para tornar aquele almoço único, e por conta disso, muito mais valoroso.

Às vezes o gatilho do aroma não vem de algo marcante, mas de algum perfume, o que, no entanto, não o torna menos importante. Neste caso, cabe certa consideração quanto a sua fonte geradora. A boa notícia é que seus resultados são similares, uma vez que, quer tenha origem natural ou advinda de elaboradas fórmulas químicas, para que o aroma se torne único precisará estar presente junto a pessoas que o façam assumir tal característica.  Pouquíssimas têm esse poder. A minoria dentre elas tem ciência que o possui. Daí sua proximidade as flores, a quem cabe o papel de exalar os melhores aromas, como um presente de Deus a todos nós.

Junto a estas poucas eleitas, a doçura se faz presente, talvez como uma mera e natural extensão, ou quem sabe, algo embriagante, que só nos permite sentir o melhor que um ser humano pode dispor. Talvez por isso, sejam tão apaixonantes, e certamente colocam tanta paixão em tudo aquilo que fazem.

A luz tende a ajudar e neste caso sua origem está dentro delas, o que evidencia autossuficiência, no centro de um sistema formado por planetas que giram a seu redor. Elas são o Sol. Pode soar como paradoxo, mas elas não costumam reconhecer isso, o que as tornam ainda mais únicas, quase que uma garantia de sua perpetuidade.

Mas ainda há algo melhor nisso tudo. Elas se permitem a serem instrumentos em prol da propagação de seu aroma e fazem isso de forma voluntária e sem limites, cabendo aqueles, dentre os quais me incluo, não presenteados de forma direta, por Ele, com este dom, antes chamado de poder, contarmos com elas para conquistarmos tanto.

Infelizmente, muitos não temos a felicidade de tê-las próximas, ou, o pior, sequer damos a devida relevância a isso. Talvez aqueles que jamais tenham se deliciado com o Baião de Dois da minha avó e/ou com o sorriso da sua.