Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Até mesmo quem não gosta de tratar com pessoas pode se tornar um Diretor de Recursos Humanos.

Cheguei cedo à empresa aquele dia, mais cedo que normalmente.

Tinha aula de inglês.

A empresa tinha organizado pequenas turmas em parceria com uma escola de idiomas.

Éramos apenas 4 alunos por turma.

Naquele dia, fui eu e mais dois.

O professor era um brasileiro que tinha morado nos Estados Unidos durante 5 anos.

Após cerca de 15 minutos de aula, ele passou a nos comentar sobre a atividade que seria desenvolvida ao final do ano.

A intenção era realizar um evento onde cada um dos grupos (de 3 a 4 pessoas) iria cantar uma música, obviamente, em inglês.

Confesso que não gostei muito da ideia.

Não sei se iria me sentir bem com isso.

Meu desconforto, em particular, estava com o fato de cantar em publico.

Algo inusitado para mim.

Lembro que comentei isso com o professor e meus colegas de turma.

Aliás, acho que nós, alunos, fomos meio unanimes ao relatarmos que não gostaríamos de participar.

Seja por qual fosse o motivo, era uma opinião.

Também achava improvável naquela organização ser desenvolvido algo de tal natureza.

Não era um tipo de prática estimulada.

Depois de alguns minutos de relatos amistosos, o professor comentou que não nos preocupássemos afinal era apenas uma atividade para estimular a integração.

E complementou: “...não vai tirar pedaço de ninguém.”

Bem, ele ao menos chegou a acabar a frase rs rs...

Quase de imediato um dos colegas presentes levantou a voz em direção a ele: “Quem você pensa que é?”

Seguiu falando: “Eu já tenho tantas preocupações e coisas importantes para lidar e ainda preciso ouvir m... de um b... como você.”

O clima pesou.

Este colega continuou, e aos gritos, promoveu uma das cenas mais humilhantes, que tenha presenciado, sobre a qual alguém ficou submetido.

Por fim, chutou a cadeira e saiu da sala, finalizando as ofensas ao, agora, amedrontado professor com: “Você é um c...”.

A aula acabou ali.

Não havia clima para coisa alguma.

Achei a reação desproporcional.

Mais que isso, mal educada mesma.

Mas a verdade é que, quem o conhecia sabia que aquele era o tratamento padrão.

Digamos que sempre teve muitas dificuldades em “tratar” as pessoas como, “pessoas”.

As ofensas e o tom ríspido sempre foram sua marca, infelizmente.

Jamais tive qualquer problema com ele.

Afinal acredito muito no “quando um não quer, dois não brigam”.

Mas confesso que o fato foi lamentável.

Até mesmo constrangedor

Quanto ao professor, jamais foi o mesmo.

Mais alguns meses as aulas foram interrompidas.

O programa de capacitação de idiomas mudou.

Certamente não foi este fato que provocou todo este desdobramento.

Mas foi um sintoma.

Caberia ao menos um pedido de desculpas.

Além disso, ele era um prestador de serviço que foi ofendido dentre do local de trabalho.

Nada houve.

Agora este colega que ofendeu o professor é Diretor de Recursos Humanos.

Não tenho duvida que as coisas mudaram.

Afinal a evolução é algo inerente a qualquer pessoa.

É algo que está a alcance de todos.

Basta que estejamos dispostos e abertos para isso.

Que bom.

Eu acredito.