Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Doce Antônio e Linda Helena

Conheci Antônio e Helena já faz alguns anos, não muitos, mas o suficiente para que tivesse compartilhado momentos únicos com este casal tão simpático.

Antônio, um aposentado, de sorriso fácil expressa uma natural alegria em atitudes simples.

Helena, uma linda senhora, cuidadosa e zelosa que a todos abriga como se fossem filhos.

Moram em um confortável e agradável apartamento na Vila Mariana em São Paulo.

Atrás deste lindo casal, uma história de um amor intenso e quase eterno, construído após a superação de várias barreiras.

Suas famílias se conheciam desde quando ainda eram adolescentes e moravam no interior em uma pequena cidade próxima a Valinhos, no estado de São Paulo.

Ele, com 16 anos, se apaixonara por ela, com 13 anos.

Mas naquele tempo, a paixão não significaria nada, do ponto de vista de propiciar uma relação mais duradoura.

Sequer um beijo foi dado, tão pouco maior reciprocidade no sentimento por parte da jovem Helena.

As famílias mudaram de cidade, e naturalmente, Antônio e Helena se afastaram.

Ainda assim, em poucos e raros momentos, as famílias mantinham algum contato, em esporádicos encontros.

Anos depois, tanto Antônio como Helena constituíram suas próprias famílias, tiveram seus filhos e até mesmo netos.

Sempre foram muitos felizes com suas escolhas bem como com os seus cônjuges, com os quais viveram uma intensa relação de amor.

A paixão de Antônio, ao que parece, ficou adormecida em algum lugar.

Os anos fizeram com que, em certo momento da vida, Antônio e Helena voltassem a se encontrar.

Desta vez, no entanto, novamente disponíveis para, quem sabe pudessem resgatar aquela história de décadas atrás.

Os filhos de cada um deles foram os cupidos.

Antônio e Helena namoraram por alguns meses e enfim depois de quase 40 anos, o primeiro beijo aconteceu.

Segundo me confidenciaram, o primeiro beijo não foi considerado uma conquista, uma vez que ele já tinha acontecido várias vezes em seus sonhos.

Linguarudo como sou, resolvi perguntar: Vocês não amavam seus antigos cônjuges, aqueles com quem vocês partilharam a maior parte de suas alegrias, tristezas e conquistas?

A resposta veio de forma única, em duas vozes embargadas:

“Amávamos e ainda amamos da forma mais sincera e intensa que nossos corações nos permitem. No entanto, nossa ligação sempre esteve acima disto tudo, pois ainda que não estivéssemos juntos, queríamos o melhor para o outro e esta sim, é a maneira mais efetiva de demonstrar nosso amor. Ainda que estivéssemos longe um do outro, sem nos ver por muitos anos, o bem querer comum fez com que nossa ligação se permanecesse intacta, nossos corações estavam conectados e desta forma, mesmo que não voltássemos a ficar juntos um dia, já seria um amor para sempre.”

Depois dessa, aprendi mais uma lição, não pergunto mais certas coisas rs rs... devo sentir.