Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Em dias poucos frutíferos, devemos ter a resiliência do Sertanejo

Já com as mãos calejadas, mas com o espírito sempre renovado, todo e qualquer sertanejo sabe muito bem o que fazer quando a colheita tão esperada não se concretiza. Deve se mexer mais na terra para que ela, segundo suas próprias palavras, “acorde”. Daí se começa um novo ciclo cuja intenção é alcançar a produção esperada.

Sabedor, no entanto, que ainda assim, não há qualquer garantia que este novo intento seja alcançado, cabe a ele, também, buscar novas alternativas. Aquelas que, potencialmente, irão garantir o seu sustento durante mais uma temporada de espera. Sim, pois a terra “obedece” o seu tempo. Não será de um dia para o outro que o fracasso de uma colheita se tornará em abundância de uma muito bem recebida. Ainda que se mexa bastante nesta terra.

Mas o sertanejo também possui dentro de si alguma coisa, que parece perpetua, e está impregnada em suas entranhas, sua fé inabalável. Ela é continuamente alimentada por suas crenças religiosas. Como explicar, por exemplo, e apenas para citar um, que ainda depois de tantos períodos de seca, haja um sem número deles que têm em Padre Cícero, um santo que está sempre ao seu lado, garantindo conforto diante seus piores momentos. Pois é, a fé de que dias melhores virão, e que para isso aconteça, terá o Santo Padre como interventor direto junto a “Nosso Senhor Jesus Cristo” é a garantia. Ainda assim, o sertanejo não esmorece tão pouco terceiriza suas obrigações ao Santo, e segue mexendo em sua terra.

O mundo corporativo funciona segundo estas mesmas premissas. Os cenários e as mudanças com as quais necessitamos nos confrontar demandam ações. Neste caso, o nosso “mexer na terra” possui muitos significados que podem passar desde pontuais alterações de rumos até mesmo adaptações a situações onde o essencial mesmo será “sobreviver”. Estas alternativas que nos garantirão passar por um período de estiagem costumam demandar investimento de tempo e muito estudo. Elas nos permitirão criar calos que nos manterão vivos, durante a seca, e resiliência para eventuais situações futuras, que certamente serão vividas com muito menos dor. E por que estes períodos acontecem? Porque precisamos. São eles que, justamente, nos tornam mais fortes e cientes de seu valor quando eles estiverem longe de nossa realidade. Conhece-las nos ajudará a permanecer longe delas.

A perfeição com que os acontecimentos são cíclicos em nossa vida deveria servir-nos como garantia que o próximo momento será de bonança. Difícil pensar assim, no entanto, quando a água está batendo na canela, e continua subindo. Mas a alternativa a isso tende a ser “se deitar”, e neste caso a água, ainda que rasa, irá nos afogar. Sendo assim, que possamos sobreviver a esta situação de superação, acreditando em nossa capacidade, desenvolvendo alternativas de sobrevivência e suportando aqueles que têm tudo, mas sequer oferecem seus braços para nos ajudar.

Será, no entanto, que o faremos, quando estivermos em situação similar?

O Sertanejo fará, sempre.