Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Esperança, a filha da Coincidência.

Uma série de fatos que possuem alguma semelhança entre eles, a isso, costuma-se chamar coincidência. Podemos acrescentar a esta definição o fato de não haver qualquer relação entre eles, tão pouco algum alinhamento de causa e efeito.

Talvez por não ter conseguido identificar qual fenômeno a explica, Einstein considerava que coincidência era a maneira que Deus tinha encontrado para se permanecer no anonimato. Já a minha avó, dona Noel, sempre dizia “coincidência não existe, são truques que Deus faz para não ter que explicar muito”.

Quando se coloca Deus em qualquer tema que seja, tudo passa a ser possível, por mais que existam aqueles que não acreditam Nele. Talvez para estes, coincidência esteja ligado estritamente à sorte, que pode ser boa ou má.

A verdade é que quaisquer coincidências estão intimamente ligadas junto as nossas expectativas, e são elas que irão controlar o entendimento. Isto costuma ser natural e óbvio, mas ainda assim é cabível analisar.

Caso o cenário não seja muito promissor, e estejamos descrentes quanto a alcançarmos nossos objetivos e metas, tendemos a acreditar que o universo conspira contra e que tudo acontece de forma, quase que articulada, para que nada de certo. Ao acreditarmos nesta “conspiração”, acabamos por admitir um conceito muito particular para as coincidências, como se houvesse um alinhamento entre elas, o que é um paradoxo, por desmentir, justamente, a sua própria definição.

A questão se torna ainda mais complexa quando vivenciamos que as coincidências nos sugere um bom caminho. Neste caso, mesmo que institivamente é natural que consideremos seu real conceito, como se elas surgissem sem que houvesse qualquer ligação explicita entre elas. Como se fosse algo divino.

Não há duvida que é legitimo que tomemos entendimentos próprios de acordo com a nossa conveniência e, porque não dizer, interesse. Mas também é verdade que seria muito mais razoável que possamos tomar como referência algo que permeie as duas situações. Isto é, sendo boas ou nem tanto, que as coincidências tenham algo em comum. E elas têm mesmo, a isto chamamos esperança.

Esta crença, que possui um caráter plenamente emocional nos permite acreditar, ou não, que algo poderá, na verdade deverá dar certo. Mais que apenas acreditar, ao entendermos que as coincidências fazem e farão parte da nossa vida, e que muitas vezes não temos, ou teremos, a menor noção de como eles irão se desdobrar e colaborar junto aos nossos intentos, tudo tende a ficar, ao menos, mais aceitável.

Sendo assim, é factível admitir que todas as coincidências estarão intimamente ligadas à esperança. Se elas, digamos conspirarem a favor daquilo que desejamos, a esperança aumenta vertiginosamente, nos tornamos mais fortes, e isto irá criar um circulo virtuoso, que nos fará chegar onde desejamos.

O mesmo raciocínio pode ser considerado no caso das coincidências que, conforme análise muito própria, sugerem que não tenhamos progresso em nossos intentos. Neste caso, no entanto, nos caberá nutrir nossa esperança de forma a romper o início deste ciclo, digamos negativo, e revertê-lo para a rotação correta, a do progresso.

Há sempre, no entanto, a opção mais simples que é acreditar na plena espontaneidade da coincidência e deixá-la escolher qual modo seguir. Esta passividade pode ser a mais conveniente, mas certamente não é a melhor das opções justamente para quem quer avançar de forma sustentável e devidamente alicerçada.