Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Fala Galvão Bueno, fale muito e muito mais.

Sim, ele fala muito.

Mas o que poderíamos esperar de uma pessoa que trabalha com comunicação?

Pois é.

Desde muito tempo costumeiramente fazia parte de uma maioria silenciosa que sempre entendeu ser ele o melhor de todos os narradores.

Isto mesmo, maioria.

Inegável que o fato de um profissional se manter, por mais de três décadas, como a grande voz de uma das maiores emissoras do mundo, já seria o suficiente para se comprovar sua excelência.

Ainda que uma insignificante minoria, mas muito ruidosa, costume propagar pontos de vista contrários, dos quais respeito, ainda que para isso use frases mal educadas, tais como “CalaBocaGalvão”, jamais entendi minimamente a razão por tal postura, por uma única questão, para mim, Galvão sempre foi muito f...

Particularmente, foi com a sua voz que meu time conquistou o primeiro título da Taça Libertadores, em 1992, em um raro momento quando esteve fora da Rede Globo.

Antes disso, foi com ele, que a Formula 1 nacional viveu seu melhor momento, com Nelson Piquet e Ayrton Senna. “Como assim?” podem perguntar alguns, usando como argumento o fato dele não estar dirigindo os carros de nossos campeões mundiais. Pois é, com Galvão narrando, “na ponta dos dedos”, sempre me senti pilotando cada um deles. Certamente por isso, todos fomos tão campeões nestas conquistas.

Na verdade, serão quase infinitos os exemplos de eventos esportivos que se tornaram maiores por conta de sua narração. Ou alguém realmente acha emocionante quando dois lutadores ensanguentados ficam trocando sopapos em uma briga de rua chamada de forma rebuscada por MMA? Pois até mesmo estas lutas se tornam um show sob sua narração.

Cabe aqui o mais singelo respeito a todos os demais narradores brasileiros, uma área em que o nosso país tem um dos terrenos mais ferteis, o que torna descabível a citação de nomes, uma vez que certamente haveria a injustiça na falta de algum, no entanto, entendo que Galvão esteja em um outro patamar, algo parecido quando fazemos comparações entre Pelé e os demais grandes jogadores da história do futebol mundial.

Desde as primeiras horas do fatídico acidente do avião da Chapecoense, na madrugada de segunda para terça feira da última semana, passando por sua presença no jornal matutino da Rede Globo, bem como ao longo de toda programação, culminando na narração de um velório, algo por mais de inacreditável, tamanha foi a emoção que claramente o invadia, assim como a todos, e finalizando em uma narração do suposto título da Copa Sul Americana ao final do programa Fantástico, no último domingo, o que se viu foi o ápice da performance de um narrador, tamanho foi seu envolvimento pessoal apenas menor que a excelência demonstrada.

Sem medo de errar, assim como o mundo costuma usar a ‘palavra’ Pelé, como forma de elogiar um profissional que se sobressai em sua profissão, creio que seja factível que mais que nunca a ‘palavra’ Galvão Bueno tenha o mesmo significado.

Fala, para sempre, Galvão, que orgulho ser seu contemporâneo.