Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Geracão Y versus Juniorização, é por aí?

Conceito vastamente disseminado para definir os nascidos após 1980, que cresceram durante o período de maior crescimento tecnológico, a Geração Y costuma estar associada a algumas supostas verdades que têm inundado bem como justificado uma série de coisas que caracterizam o atual dia a dia corporativo.

As pessoas que delas fazem parte frequentemente costumam ser “acusadas” por buscarem de forma frenética, e quase desenfreada, evoluções profissionais de maneira muito rápida, sem que haja para tal, o maior amadurecimento, tão importante para uma real formação de excelência. Cá entre nós, em algum tempo, costumávamos chamá-las de “ansiosas”, uma sutil diferença.

É inegável afirmar que o surgimento de muitos negócios, em sua maioria fundamentada em novas tecnologias, acelerou de forma, porque não dizer assustadora, a taxa de crescimento de receita das empresas que se empreendem por estes novos mares. São inúmeras as organizações que em pouco tempo de existência alcançam o seu primeiro milhão. Em muitas, talvez na maioria delas, suas equipes são formadas por jovens e competentes profissionais, ditos como inseridos na tal Geração Y.

De forma similar, ainda que de maneira menos intensa, alguns segmentos tradicionais da economia também passaram a adotar esta verdade como uma importante premissa para a formação de suas equipes. Cada vez mais, jovens profissionais, com poucos anos de experiência, mas com esta predisposição acentuada a galgar os cargos mais altos da empresa, têm efetivamente os assumido, deixando meio que em polvorosa aqueles que bebem da tradicional regra que fundamenta a experiência como algo essencial para a formação dos melhores profissionais. Temerário notar que o crescimento da ocorrência dos dos problemas que têm afligido muitas organizações ao redor do mundo, inclusive aquelas, citadas no começo do texto, fundamentadas junto às novas tecnologias, tem a ver justamente com este processo que também é reconhecido como a “juniorização” dos cargos de liderança.

Muitas vezes travestida pelo discurso de que “é preciso termos sangue novo” e outros similares de mesmos propósitos, a frequente substituição de profissionais mais experimentados com “alguns, ou todos, cabelos brancos” por jovens muito competentes ainda “cheirando a leite” é uma das saídas mais utilizadas pelas empresas para a redução de custos. Não é por coincidência que nota-se, infelizmente, o aumento das graves falhas de gestão administrativa e técnica nas empresas, sobretudo, brasileiras. Ou será que alguém ainda acredita que barragens rompem por conta da chuva, ou funcionários morrem em obras de engenharia por simples falta de equipamento e/ou grandes varejistas quebram, simplesmente por conta de uma situação econômica do país, ainda que muito grave, infinitamente melhor que aquela vivida em tempos de inflação na ordem dos três dígitos?

Obviamente que seja salutar a estruturação de processos que tenham condição de antecipar o quanto antes os resultados potenciais que os profissionais mais novos possam trazer para si, às organizações da quais fazem parte, bem como ao mercado de uma forma geral. No entanto, colocar na conta deles, a responsabilidade por isso, é ignorar o processo de aprendizado que fundamenta até mesmo a fabricação dos melhores vinhos, além de representar uma lastimável sabotagem àqueles vencedores destes equivocados “louros”. A queda costuma ser muito dolorosa e quase definitiva.