Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

O Monumental Phelippe Daou

“A Claudia vem dormir aqui em casa hoje” disse a minha irmã Alexandra ao chegar do Colégio Auxiliadora em Manaus, ainda nos anos 1980.

Sem dar muita importância, passei em branco. Já minha mãe logo demonstrou a preocupação em saber se ela comia “de tudo”. Ouviu da minha irmã, o natural: “acho que sim, sei lá”.

A próxima pergunta foi sobre os pais dela: “o pai dela trabalha em que?”. A resposta foi inusitada: “ele tem um canal de televisão”

Opa... eis que o assunto partiu para um lado inédito para mim.“Como assim, ele tem um canal de televisão?” me exaltei interrompendo a inocente conversa. “Ué, um canal, a Rede Amazônica de Televisão” respondeu. Aquilo me fez brilhar os olhos. Não conseguia imaginar o que poderia ser aquilo.

Claudia e minha irmã eram parecidas. Para mim, naquele tempo, duas ‘chatonildas’. Ainda assim, de qualquer forma, me interessei em ir deixá-la de volta para a casa dela, afinal iria poder ver a casa do dono do canal 5.

Quando cheguei lá, tamanha foi minha decepção. A família inteira morava em uma casa de madeira, ao lado de outra que estava em construção. Durante anos, muitos mesmos, lá foi a morada da família. Não cabia em minha mente o ‘dono do maior canal de televisão’ morar em uma pequena casa de madeira.

Pois é, isso mostra o que foi Phelippe Daou, aquele homem gigante, pai de Claudia e de Phelippe Junior, um dos maiores nomes da história da maior região brasileira.

Não demorou muito para que eu o visse pela primeira vez. Em uma caprichosa igreja, localizada em uma simplória rua próxima a avenida Efigênio Sales na capital baré. Aquele homem gigante, na segunda fileira, se destacava entre todos, apenas pelo sua altura. Talvez muitos ali presentes sequer tinham ideia, que aquela capela tinha sido construída por ele.

Assim era Phelippe.

Nossas famílias sempre foram muito próximas, sobretudo por conta da amizade entre Cláudia e Alexandra. A admiração era, e é, recíproca.

Certa vez, quando foi viajar para o exterior com sua esposa, Magdalena, ‘Seo’ Phelippe ligou para o meu pai e marcou um jantar, justamente para oficializar o pedido para que Cláudia ficasse em casa durante o tempo que eles estariam fora.

Assim era Phellippe.

Ainda que tenha convivido com ele em algumas poucas ocasiões, só falei com ele, uma única vez, faz cerca de um ano e meio atrás durante palestra na Rede Amazônica de Televisão. Aquele homem único me ouvindo. Para mim, algo digno de colocar em meu currículo. Ao final dela, ouvir suas palavras dirigidas unicamente para mim foi algo de arrepiar.

Phellipe Daou é o nome. Para sempre.

Deus quis levá-lo o quanto antes para que pudesse ser presenteado com toda sua magnitude, agora, mais que nunca ao lado de Magdalena.