Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Perseverança e Novos Rumos

Insistir, permanecer, persistir... Eis alguns dos verbos, costumeiramente, presentes em uma pessoa considerada perseverante.

Característica admirada e considerada como rara nos dias atuais, marcados pelas expectativas de resultados a curtíssimo prazo, a perseverança é algo importante na formação de qualquer pessoa. A resistência a “abandonar o navio” é tão, ou até mais, importante quanto a saber o momento certo de fazê-lo. Sim, pois também é salutar que saibamos quando devemos partir para outra situação, momento ou realidade.

Idos dos anos 1980, quando ainda morava em Manaus (sim eu morei por lá) a partir de certo momento comecei a receber insistentes abordagens de uma amiga do colégio. Coisas de adolescência. Por mais que nunca tivesse retribuído qualquer interesse por ela, me intrigava a forma como ela insistia para que algo entre nós se tornasse real. Jamais na minha cabeça passou sequer a menor possibilidade de que algo se concretizasse. Acredito que, na cabeça dela uma verdade era considerada absoluta: uma hora eu iria ceder (que poder hein rs). Isto, no entanto, nunca aconteceu, por mais que ela tenha perseverado. Também não coube a mim me portar de forma a, ao menos, minimizar as agruras vividas por ela. Simplesmente não calcei os seus sapatos.

Anos depois, história similar aconteceria. Desta vez, no entanto, com a substituição de uma protagonista, por outra amiga, e a inversão dos papeis. Muito mais que na situação anterior, era eu que tinha a certeza que conseguiria o meu anseio. Ela não resistiria. Acredito que, na cabeça dela outra verdade era absoluta: jamais aconteceria nada. Pois é, nada houve, por mais que eu tenha perseverado, e muito, em prol do meu intento. Também não coube a mim fazer, até então, qualquer associação com a situação vivida anos atrás. Egoísmo? Egocentrismo? Talvez um pouco de cada. Sapatos apertados, nunca são confortáveis. Sofri tanto quanto um sem número de pessoas que vivenciam situação similar.

Em ambos o caso, ao lado da perseverança há algo em comum: o fracasso no atendimento do intento. Impossível deixar de acreditar que o melhor possível, dentro ao que cada um se propôs, tenha sido feito. O foco e a busca incessante foram mantidos e tudo foi feito com a melhor das boas intenções.

Pois é.

Assim como acontece em nossa vida profissional, o fato de fazermos tudo certo, sermos perseverantes e, muitas vezes, bastante competentes não é uma garantia que o sucesso será alcançado. Basta imaginarmos, por exemplo, que todos aqueles que anseiam ganhar na Mega Sena irão, em algum momento de suas vidas, levar o prêmio para casa. Isto não acontecerá. Ao contrário dos sonhadores deste prêmio, cujo esforço se limita ao pagamento da aposta e ao tempo na fila da lotérica, qualquer um de nós tem como analisar criticamente o real momento de mudar, a partir da certeza de que o limite foi alcançado e que o próximo passo, a ser dado, terá um novo rumo. A perseverança continuará presente, pois ela está com a pessoa e não disposta a ser encontrada ao longo do caminho. É ela que nos permite a conquistar algo essencial em qualquer experiência vivida: o aprendizado que nos torna cada vez mais fortes, felizes e em determinado momento de nossa vida com totais condições de calçar qualquer sapato.