Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Quando fazemos aniversário, não precisamos ir à aula

Esta foi a resposta do meu sobrinho Marcos quando fui acordá-lo para ir à aula.

Uma regra tácita que, confesso, também fez parte da minha infância.

Aliás, uma das grandes alegrias do aniversário era, justamente, poder ficar em casa.

No meu tempo, assistir a toda programação de desenhos.

E o melhor: saber que seus colegas estavam em aula rs

Isto não tinha preço.

Azar daqueles que faziam aniversário nos meses de janeiro, julho e dezembro.

Jamais souberam o que é isso.

Mas ainda havia outros problemas.

Quando o aniversário caia aos sábados e domingos.

Ninguém merecia este castigo.

Excluindo estas exceções, aos pais cabiam algumas alternativas.

Uma delas era promover que o aniversariante saísse, ao menos, no intervalo da aula.

Sobretudo em dia que havia “aquela prova”.

Outra possibilidade era promover um “bolinho” na hora do lanche.

Comido o bolo... hora de ir embora para casa.

Não tinha jeito, o presente maior era ficar em casa.

Me lembro que nos meus tempos também havia o tal de “gazetar” aula.

Lembro que, certa vez, metade das meninas da minha sala não apareceu para aula.

Motivo?

Os Menudos estavam na cidade.

Na semana seguinte, o castigo?!

Foram suspensas.

Ficaram em casa, desta vez, por deliberação oficial.

Alguns anos passaram, aliás, vários.

E muitas destas verdades vividas se efetivaram como regras.

Estão acima de toda e qualquer condição contratual.

O que acabamos por fazer, muitas vezes, é dissimular.

Explicitar o “deixar pra lá” quando na verdade, não deixamos.

Acabamos por nos torturar por conta da impossibilidade de fazer acontecer a premissa verdadeira.

Nos tornamos chatos por evidenciar o “no meu tempo...”

Quando na verdade isto depende apenas e unicamente de uma pessoa.

De nós mesmos, obviamente.

Por conta disso, meu sobrinho não foi a aula e passou seu aniversário, dormindo.