Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Quem não sabe brincar, não deve descer ao play...

Assunto recorrente em qualquer roda corporativa, o comportamento que costumamos adotar junto aos diversos meios onde vivemos tende, cada vez mais, a ter ingerência em cada um dos papeis que costumamos assumir em nossa vida pessoal e profissional. Inegável acreditar, por exemplo, que, uma vez presente no ambiente de trabalho, ao tomarmos posturas exageradas, quando comparadas ao padrão definido pela sociedade como normal, que elas acabem por grudar na forma como as pessoas irão nos ver fora desse ambiente. Difícil haver separação. Igualmente ao sermos flagrados por algum colega de trabalho cometendo alguma descompostura em alguém, em uma loja enquanto exercemos nosso legítimo direito de consumidor. Tanto em um caso como no outro, ainda que compreensível e, às vezes, justificável, ambas as situações acabam por revelar, coisas que talvez não quiséssemos. Imagine então se considerarmos as inúmeras redes sociais que nos rodeiam, e que cuja simples ausência já pode explicitar muito sobre nós.

Mais que adotarmos uma série de ações que busquem criar uma redoma para proteger nossa imagem, ainda que em termos práticos seja isso mesmo, o fato de observarmos, ou ao menos considerarmos certas regras de etiqueta pode ser de grande valia para evitarmos o que alguns especialistas do tema costumam classificar como pura auto sabotagem. Coisa sobre a qual estamos muito sujeitos ao longo do dia.

Em tempos de maior agitação política, por exemplo, as quase intermináveis discussões entre os ‘pró alguém’ e ‘contra outrem’ tendem a expor o que há de pior, a intolerância sobre a opinião adversa. Difícil entender como razoável, que a emoção se explicite e fique a flor da pele, diante meras divergências que tenham cunho político, religioso e futebolístico, o para alguns é citado como tema mais importante entre todos os de menor relevância. É sabido que as organizações costumam pesquisar nas diversas redes sociais, os perfis de seus profissionais, atuais e futuros, sobretudo aqueles de cargos que demandam maior interação externa. Longe de querer discutir sobre o mero ato da empresa em si, cabe pensarmos sobre o quanto é factível acrescermos à imagem que construímos algo que esteja em dissonância com o que queremos mostrar.

Ainda que tenhamos total direito de termos quaisquer opiniões que desejarmos, expô-las, assim como a forma que adotamos para torna-las publicas, são coisas que transcendem, e muito, a mera questão da liberdade de expressão. Não adianta sequer reclamar sobre o direito, ou não, de termos nossos perfis pesquisados, por qualquer organização. Uma vez que seria algo parecido ao que acontece quando algum acusado não é preso, por conta dos meios utilizados para obtenção de provas não serem considerados ilegais. Ainda que judicialmente não sejam utilizadas como evidências, a mensagem do ilícito será compreendida e influenciará na decisão.

Evitar a cizânia não sinaliza que não possamos divergir com qualquer pessoa que seja, mas tende a seguir como algo mais razoável do que a regra tácita dita pelas mães de quem morava em apartamentos. “Se não sabe brincar, não desce ao ‘playground’”, uma sugestão drástica, que evita problema, mas nos impede de propiciar dos nossos melhores momentos.