Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Sobre um tal Fernando, quando pequenas atitudes fazem realmente a diferença.

Neste espaço, costumo frequentemente compartilhar histórias e causos vivenciados por mim, amigos e conhecidos. Muitas vezes, alguns de meus leitores chegam a perguntar sobre o quanto os exemplos ilustrados são efetivamente verídicos ou apenas simples metáforas recheadas de mensagens, mais ou menos, diretas.

Pois bem, todas efetivamente são verdadeiras quanto a ocorrência, embora muitas delas não tenham, necessariamente, tidas como personagens um amigo aqui ou acolá. Muitas vezes a omissão dos nomes é feita não apenas para preservar a curiosidade ou a identidade dos envolvidos, mas principalmente para manter justamente este duvida quanto a sua própria veracidade, o que, paradoxalmente, muitas vezes faz com que o assunto seja mais lembrado.

Confesso que em algumas situações ilustradas, muitos amigos, amigas ou nem uma coisa nem outra, possam se identificar com o que aqui é relatado. Mas com certeza aqui não haverá jamais a citação de seus nomes ou qualquer característica mais marcante que permita a identificação da pessoa.

Por que estou falando tudo isso?

Porque justamente nesta semana resolvi agir de forma diferente e divulgar os nomes dos envolvidos, no caso de um deles.

Ainda no começo dos anos 2000 eu atuava em uma construtora brasileira já fazia uns quatro ou cinco anos. Estava, assim como hoje, muito na batalha por galgar condições de maior destaque na organização e foi com muita satisfação que recebi a orientação de meu chefe de ir até Curitiba para fazer uma apresentação sobre processos inovadores para uma multinacional.

O grande diferencial é que, ao contrário das outras vezes, eu estaria acompanhando um dos acionistas da empresa onde trabalhava. Devo confessar que ao mesmo tempo em que fiquei feliz pela confiança, havia o nervosismo natural de estar ao lado de um dos acionistas desta organização.

Só o avistei quando eu já tinha começado a apresentação e confesso que naquela época estava muito mais preocupado em não escorregar no meu inglês do que em vê-lo.

Ao final, ele se levantou e me deu os parabéns e falou para os assessores deles: Ele vai voltar para São Paulo comigo, no meu avião!!!

Quando sai, os assessores dele tinham sumido e precisei pegar um taxi para chegar ao aeroporto. No meio do caminho, o taxista bateu o carro, o que fez atrasar minha chegada ao aeroporto de Curitiba.

Os assessores dele passaram a me ligar no celular, para saber onde eu estava, porque tinha levado uma bronca por não terem me esperado.

Pois bem, acabei voltando em avião de carreira para São Paulo.

Na manhã seguinte, quando cheguei pela manhã no escritório, meu chefe me chamou pessoalmente para afirmar que o acionista tinha gostado muito de minha apresentação.

Logo depois, recebi as ligações dos dois assessores e da assessora dele, me pedindo desculpas, o que foi repetido em e-mails, pelo fato de não terem me esperado.

O nome deste Sr. de quem estou falando desde o começo do texto?

Fernando de Arruda Botelho.

Fernando Botelho encontrou a morte na última sexta-feira, dia 13 de abril, talvez da forma que sempre sonhou, pilotando um de seus aviões pelos quais sempre foi um grande apaixonado.

Esta não foi a última vez que eu o encontrei, também não foram tantas assim, mas gestos como este me marcaram muito como pessoa e profissional.

Um grande abraço a todos aqueles que buscam fazer com que seus sonhos se tornem realidade.

Conforto e força para a família.