Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Um dia, aprendo... e que venha um novo ano

Fortaleza, dezembro de 1984… 

Para ser mais exato, sítio dos meus avós no bairro da Vila Manoel Sátiro.

Na sala, uma ‘ruma’ de gente interagindo em um sempre barulhento jantar de família.

Ao sair para o alpendre, avisto meu avô sentado próximo a enorme acácia amarela.

Apesar da escuridão, as luzes coloridas de Natal tornaram nítida sua imagem.

Se bem que seu ruidoso radinho de pilha também o fizera inconfundível.

Ao notar ser observado ele soprou: “Vem cá Junior, se aprochegue”.

Sentei em uma das imortais cadeiras de balanço que completava o cenário.

Meu vô parecia estar atento ao programa que escutava.

Para mim, apenas uma voz cansada e tagarela.

Após minutos sem trocar palavras, o jeito foi passar a prestar atenção no narrador.

Com uma voz embargada, ele exaltava a felicidade de estar próximo a um novo ano.

“Vô, ele não parece estar muito contente” comentei.

Com um sorrisinho vira-lata, ele continuou quieto, atento ao narrador.

“Ops…” pensei eu, já preocupado se tinha falado algo errado.

Quis sumir… 

Ao notar minha intenção de me levantar, meu vô desligou o rádio e se dirigiu a mim.

“Junior, nem sempre encontraremos a verdade nas palavras que escutamos, tampouco nas atitudes que presenciamos. Ainda assim, temos que, ao menos tentar nos apegar há algo de bom, e nem tão bom assim, em tudo o que vivemos. A menor coisa que seja, ela já irá nos ajudar, e muito, a seguir em frente.” 

Com olhares de susto, confesso que pouco entendi. 

Não mais trocamos palavras.

Em seguida, ele finalizou: “Um dia, você entenderá…”