Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Virilidade Corporativa, apenas uma questão de masculinidade?

Virilidade, condição daquilo que é másculo, energético, potente, esforçado, vigoroso, corajoso e tantas outras características que costumam estar associadas com o comportamento de alguém do sexo masculino. Este é o entendimento, isto é, o significado que é possível encontrar em qualquer dicionário da língua portuguesa.

Curiosamente, mas longe de ser mera coincidência, muitas destas características associadas à virilidade são aquelas identificadas como relevantes, quase que essenciais, para qualquer profissional de sucesso no mundo corporativo.

Com exceção do termo másculo que realmente, segundo também os dicionários, possui uma estreita associação com o homem, todas as outras são plenamente passíveis de serem encontradas em pessoas de qualquer gênero. Em suma, não precisa ser homem para possui-las.

Ainda assim, não deve ser por acaso, que, ao menos no mundo corporativo esta associação se mantenha tão próxima junto aos profissionais do sexo masculino, o que certamente ajuda a explicar, um pouco mais, porque ainda hoje, em pleno século XXI, ainda exista a absurda discriminação entre homens e mulheres. Impossível negar que ela não esteja presente, muito embora grandes passos tenham sido dados.

Se o próprio dicionário, uma das publicações que nos acompanha desde os primeiros anos do jardim de infância, associa energia, potencia, esforço, vigor, coragem como características masculinas, como imaginar que haja um pleno equívoco neste entendimento?

Pois é, há e não é um pequeno erro, mas sim mais um claro exemplo da necessidade de atualizarmos alguns conceitos que ao longo de tantos anos insistem em se fazer presentes em nosso dia a dia.

Não cabe também sinalizar que virilidade, assim como tantas outras palavras da nossa língua portuguesa, possa ter diferentes significados de acordo com a conveniência. O que realmente é importante evidenciar é que ela não possui qualquer associação a um determinado gênero. 

Mas o absurdo ainda é maior quando notamos que virilidade também é interpretada como um sinônimo de apetite sexual. Pois é, o velho e tradicional preconceito machista de sempre se faz presente. Quando é utilizado o termo machista não há qualquer sugestão dele ser originado por homens, uma vez que é sabido que é comum encontrar mulheres que exalam isso em seu dia a dia.

A boa notícia é que a solução depende apenas de cada um de nós mesmo, em pequenas atitudes, doses quase que homeopáticas. Por outro lado a notícia nem tão boa assim é que nem sempre estamos dispostos a começar, uma vez que os adiamentos tendem a ser constantes e frequentes, e este tema possa ser considerado apenas uma bobagem.

Não há dúvida, que certamente já está passando pelas cabeças de muitos que chegaram até este parágrafo, o quanto a sua colega de trabalho não pode ser viril e/ou até mesmo que feminilidade é o antônimo de virilidade, como se ela fosse o mesmo que masculinidade, só que de outro gênero. Também é verdade que levar esta discussão para o campo da brincadeira e/ou gozação não deixa de ser uma forma mais leve de considerar este assunto, mas que tende a não ajudar em nada a maneira como devemos entender a virilidade presente nas pessoas, o que seria algo tão importante na identificação e evolução de tantos profissionais competentes neste mercado cada vez mais tão competitivo.