Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A TV está virando rádio

Há três décadas, lá na Vila Sumaré, costumava ouvir rádio no armazém do meu avô, o “Seo Martinho”. Ele tinha um Semp portátil à pilha. Por volta das 11,30 h da manhã, nós ligávamos no Rádio-jornal K-502, da Rádio Presidente Venceslau. O aparelho ficava num cantinho, em cima do balcão. Depois de sintonizado, não precisava de mais nada. Normalmente, a voz possante de radialista Luiz Augusto tomava conta daquele pequeno empório. Luiz, certa feita, leu uma das manchetes mais chocantes, mais bombásticas que já ouvi: “Incêndio na Prefeitura de Presidente Venceslau é criminoso!” Anos depois, o jornalista Moacir Bento também apresentou este noticiário por um bom período. Quis o destino, tempos mais tarde, que eu também o fizesse! Pois, bem... Naquela época, bastávamos ligar o radinho e continuar a nossa rotina do dia. Era só ouvir! Agora, tudo está voltando ao mesmo lugar...

Por força da privacidade, das leis, a televisão brasileira está ficando cega. Por força do medo, também. Questões jurídicas que envolvem altas indenizações têm forçado as empresas e grupos de mídia televisiva a usar e abusar de meios para “esconder” tanto às pessoas de bem quanto - e por vezes -, os criminosos. O entrevistado em muitos casos, parece até o repórter da notícia; a câmera é “fechada” em seu rosto e o cidadão que dá o depoimento só aparece de costas. Outras vezes, fala atrás de um muro, uma porta, uma cortina ou até de uma árvore, conforme o grau de perigo ou de pavor que o acontecimento proporcione. Tudo isso, bem ao estilo do “Sombra”, o locutor excêntrico do Programa do Ratinho que aparece iluminado, atrás de um pano branco. 

Esse tipo de procedimento na TV para quem, por exemplo, testemunhou algum crime, não para por aí. Modificam as vozes dos depoentes transformando suas falas em algo hilário, até. O som fica “embolado” parecido com o de uma criança de colo. Rsss... Quando isso é insuficiente, distorcem o enquadramento, filmam parte do rosto, as mãos, os gestos das pessoas ou a nuca.   

E os criminosos? Volta e meia, um bandido de alta periculosidade, é protegido por esse sistema! Mesmo alguns daqueles que confessaram barbaridades e maluquices, querem ter a privacidade resguardada e tentam esconder o rosto quando chegam à delegacia. Até porque as penas, a justiça, tem sido uma mãe para essa gente. Quem se aproveita disso? Os “menores!” Os delinqüentes com 16 anos têm abusado do direito de furtar, roubar, estuprar e matar. Recentemente, um deles de modo estratégico, assassinou a namorada, um dia, horas antes de completar dezoito anos. Por que fez isso? Porque sabe que tem esse direito legal! Vamos parar de hipocrisia. Ele está autorizado a matar, sim! A mesma lei que faz a sua temporária apreensão, lhe dá o direito de ser solto sem nenhum arranhão na sua biografia. Não é o que vemos? 

Assim, aos poucos, a TV e também a mídia no geral, vão perdendo a visão. Na internet, os blogs e agências noticiosas, estão-se precavendo. As pessoas se tornaram apenas “siglas” ou pseudônimos. Um ponto distorcido! Todo o fato é permeado por enigmas. O principal agente, o criminoso, ninguém sabe quem é. Outro exemplo: vamos imaginar que seja um bêbado contumaz e que tenha provocado alguma tragédia no trânsito. Amanhã ou depois, possivelmente, este motorista estará cometendo o mesmo erro, talvez comigo, com você ou conhecido que esteja lendo essa opinião. Ninguém sabe! 

Receber a notícia faltando pedaços é um desafio ao leitor. Há, porém, duas constatações preciosas. Primeira: as pesquisas mais recentes afirmam que o jornal impresso ainda tem maior credibilidade que qualquer outro veículo noticioso, na internet ou fora dela. Isso é fato! A segunda: assistindo ao filme Rota de Fuga, ouvi uma frase de Ray Breslin (Silvester Stallone), a maior autoridade de segurança do mundo, que parece pertinente: “Percebi que só mandar gente para prisão não bastava. Eu queria garantir que ficassem lá e não fugissem.” Eu complemento: criminosos não podem ter penas tão brandas como vemos hoje no Brasil. Isso é o caos! O fim...