Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A cobrança de pedágio das boiadas

 Muitos acontecimentos pitorescos foram vividos pela nossa comunidade nos idos da década de 50. Alguns deles envolviam animais equinos e bovinos. Como nos informa os jornais antigos, no dia 29 de abril de 1957, Presidente Venceslau viveu um episódio nunca visto antes aqui. Na noite daquele dia, por volta das 21 h, o centro da cidade foi agitado por um militar pertencente ao destacamento da Polícia Florestal. O soldado, conhecido pela alcunha de Mogi, visivelmente embriagado, tentou invadir o Cine Bandeirantes. Ele só não logrou êxito porque foi impedido pelo porteiro daquela casa de diversão, a quem xingou muito. Não satisfeito, ele voltou minutos depois, desta vez com uma charrete, onde novamente foi barrado. Em seguida, desapareceu, dizendo que voltaria montado em um cavalo. Rsss... 

Mas, o que incomodava mesmo os moradores de Presidente Venceslau naquele tempo eram as boiadas. Elas transitavam pelo perímetro urbano. Segundo o jornal A Tribuna, datado de 14 de abril de 1957, isso acarretava problemas com a segurança da população. Na quarta-feira anterior à circulação do matutino, uma boiada que era conduzida para o embarcadouro, que ficava bem próximo à AABB de hoje, estourou nas proximidades da caixa dágua, nos altos da Av. Dom Pedro II. Isso pôs em pânico escolares que regressavam dos ensaios e preparativos das festividades alusivas à inauguração do prédio do 1º Grupo Escolar, realizados no campo do Parque São Jorge. Diz a notícia que milhares de crianças amedrontadas e espavoridas, inclusive professores, procuraram resguardar-se em estabelecimentos comerciais, residências e quintais.

No dia 28 de Abril de 1957, o jornal trouxe outra nota interessante, cujo título é: Boi mal educado... Dois dias antes, por volta das 17 h, um boi que passeava pela Av. D. Pedro II, inadvertidamente, penetrou no estabelecimento comercial chamado Lojas Riachuelo. No interior do recinto, o bovino assustou-se com as pessoas que lá se encontravam trabalhando e fazendo compras, derrubando estantes de exposição de tecidos e atingindo o local destinado ao caixa. Investiu ainda contra um dos funcionários da firma. Houve apenas prejuízos materiais. Tudo não passou de susto em consequência de visita tão estranha e inesperada. Ironicamente o jornal conclui sua nota: A vida está tão difícil no meio rural que até os bois estão-se se dirigindo à cidade, procurando um modo mais cômodo para viver. Rsss... Lembrando que a Riachuelo aqui foi inaugurada em 1º de setembro de 1956, funcionando até meados dos anos 70. 

Havia naquela época, na Câmara Municipal de Presidente Venceslau, uma indicação do vereador Ernani Murad propondo o afastamento do trânsito de bois pelo perímetro urbano. Já o embarcadouro da Estrada de Ferro Sorocabana era uma lástima. O jornal trouxe relatos impressionantes sobre isso no dia 03 de março de 1957. Durante as chuvas, o lamaçal que se formava ali era comparado a um pântano, pois algumas rezes desapareciam atoladas. Isso só foi percebido quando os boiadeiros salvaram algumas delas, antes que fossem tragadas completamente pela lama. Esclareço que, até o início dos anos 80, ainda dava para ver o calçamento de paralelepípedos do embarcadouro, bem pertinho da AABB. 

Em outubro de 1957, o prefeito Alberto Fraga, propôs estabelecer cobrança de pedágio pelo boi gordo que passasse por aqui. Justificava que o imposto era pago somente nos grandes centros, o que considerava evasão de rendas. A importância deste propósito foi para a capa do jornal A Tribuna. Um extenso artigo do colunista Virgílio Donegá, de nome O pedágio e os invernistas, apoiava a idéia. Justificava que a madeira, o algodão, a batata, o amendoim, e enfim, todos os demais produtos da terra pagam suas contribuições aqui mesmo. Invernistas em grande número apresentam-se como criadores e, como tais, ficam ao abrigo da lei que os isenta do imposto municipal. No dia 24 de janeiro de 1960, o jornal A Tribuna informa que durante um enterro, que passava por uma das ruas de Venceslau, uma boiada pôs todo mundo pra correr. Crianças, jovens e idosos! As mulheres bateram em retirada assustadas deixando pra trás suas sombrinhas. Algumas saltaram até cercas! Houve pânico e gritos entre os moradores. Parecia filme de comédia! O caixão foi abandonado na via pública. Faltou pouco para que o defunto fosse pisoteado e morto novamente. Rsss...