Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A culpa não foi minha

 Dirigindo por uma estrada, avenida ou rua qualquer, de madrugada, você se distrai com alguma coisa, passa por um momento de bobeira, desatento, e acaba por atropelar alguém. Essa pessoa, ferida, pode até estar morta. Você pára o carro. Em princípio, não vê ninguém. Tudo está deserto! Você desce e dá assistência ao atropelado ou foge do local? 

Quero que viaje comigo hoje para uma situação que as pessoas pouco discutem: a culpabilidade. A índole humana não mostra a firmeza que se espera diante de determinados fatos; uma situação degradante nascida pela questão da punibilidade. Ninguém quer assumir a culpa! Além dessa tendência, um agravante terrível costuma ocorrer: incrimina-se outro pela besteira feita. Na vida costuma-se envolver um maior número possível de pessoas para que a punição “pulverizada” seja branda. Ou até esquecida! Pois não é isso que estamos vendo no caso dos ladrões da Petrobras? Os principais envolvidos pensam assim: "vamos empurrar isso com a barriga. Logo o povo esquece e vota na gente de novo!" E quando será a divulgado o balanço da empresa? Nesta semana, divulgaram na imprensa US$ 1 bi de economia em custos de poços... Há há há... Você acredita nisso? 

Quer algo ainda pior? No geral, como atores  fugimos da verdade, da nossa incompetência. Por vezes dizemos: “Nossa! Fizeram isto?” É como o sujeito que mata a mãe ou pai e vai ao enterro, chorar desesperadamente ao lado do caixão. Essa inclinação não é nova! A queda do homem tem esse matiz. Uma marca registrada da humanidade. Herdamos isso! Aquinhoamos com satanás nossos deslizes. Quando não, todo o erro. Nos acertos ignoramos o Criador. Egoísmo! Criminalmente, as vítimas e seus defensores, costumam partir dessa premissa, quase infantil no meu modo de ver. Não é à-toa que dentro dos presídios, o sentenciado diz não ter responsabilidade na ação cometida. Alega que foi envolvido inocentemente. O que se ouve: "fui preso forjado. Armaram a minha detenção!" Os depoimentos não incriminam os seus narradores. 

Nessa linha, titubeamos como sociedade. Admitamos! No campo do Direito Civil, culpa se contrapõe ao dolo, a intenção. No Direito Penal produz-se quando, sem intenção de prejudicar, mas sem proceder com o devido cuidado, causa-se um resultado danoso, tipificado pela lei. Entende-se também, no caso de acidentes, que o fato é causado sem dolo ou culpa, e por isso não é punível. Isso não que dizer que, dependendo da abrangência da questão, não seja necessário um júri para o veredicto.   

No campo político é de dar dó. Não há expressão que retrate melhor essa observação. O importante é confundir a platéia. Velhos políticos – e novos! – já fizeram destas  jogadinhas. Jânio Quadros tinha sempre a tiracolo as danadas das “forças ocultas”. Getúlio Vargas surpreendeu em sua Carta-testamento: “Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida”. Dessa carta espetacular deduzimos: foi suicídio ou ele foi assassinado pelas tais aves que citou? Antes das eleições, em janeiro de 2013, a presidente Dilma anunciou a diminuição na tarifa de energia elétrica. E agora, depois das eleições, quem aumentou? Sua interferência no setor foi um desastre!!! E é prático para o governo jogar a "culpa" no bolso do cidadão... 

No Reino de Deus, culpa é recurso pedagógico e nunca arma depreciativa. É o que nos orienta o pastor Ricardo Gondim, que acrescenta: "eu preciso de culpa, você precisa de culpa". De acordo com ele, "só quem não tem culpa são os psicóticos, os sociopatas, os loucos. Toda pessoa normal lida com culpa! No campo pedagógico você pode usar a culpa para mudar", acrescenta. Esclarece que "nós aprendemos com os nossos erros. Aprendemos com coisas boas ou más. Também somos o resultado das besteiras que fizemos! Somos a somatória de besteiras e virtudes! Se só tivéssemos coisas boas seríamos anjos." 

Mas, quem é o culpado pelas besteiras que estamos vendo no país? O povo, o PT ou o diabo?