Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A mentira era apenas cabeluda

Na véspera de uma prova, quatro alunos resolveram chutar o balde: iriam viajar. Faltaram a prova e então resolveram dar um “jeitinho”. Voltaram à faculdade na terça, sendo que a prova havia ocorrido na segunda. Então, dirigiram-se ao professor: “Professor, fomos viajar, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo, tivemos mil problemas e por conta disso tudo nos atrasamos, mas gostaríamos de fazer a prova.” O professor, sempre compreensivo: “Claro, vocês podem fazer a prova hoje à tarde, após o almoço.” E assim foi feito. Os rapazes correram para casa e se racharam de tanto estudar, na medida do possível. Na hora da prova, o professor colocou cada aluno em uma sala diferente e entregou a prova. Primeira pergunta, valendo um ponto: algo sobre a Lei de Ohm. Os quatro ficaram contentes, pois haviam lido sobre o assunto. Pensaram que a prova seria muito fácil e que haviam conseguido se “dar bem”. Segunda pergunta, valendo nove pontos: “Qual pneu furou?” Rsss... 

Ao longo da história humana, várias epidemias fizeram dezenas de milhões de mortos. A peste bubônica ou negra na Europa exterminou mais de 50 milhões de pessoas a partir de 1333; cem anos de tuberculose a partir de 1850 deram cabo em mais de um bilhão de seres humanos; quando veio a gripe espanhola em 1918 morreram mais de 20 milhões de pessoas... E agora, uma epidemia gigantesca de mentiras produz um número incalculável de zumbis. As pessoas estão fazendo da falsidade a maneira de viver. Ou seja, estão mortas e não sabem! Não há local que escape deste mal. Na escola, em casa, no trabalho e até em redutos cujo sinônimo é a “Verdade”. As igrejas não estão livres deste percalço. Assim, em todos os cantos, ninguém escapa a essa fatídica regra, que “embeleza” palácios, casebres e barracos, indistintamente. 

Há pouco tempo, assisti ao filme “O diabo no banco dos réus”. No início de seu julgamento ele é interpelado a dizer “somente a verdade, nada mais que a verdade.” Em resposta, protesta: “Isso não se aplica a mim!” Questionado novamente se admitia que realmente era satanás, saiu-se com essa: “Eu não admito nada, não vejo nada, não escuto nada!” O filme avisa: “A maior mentira que satanás inventou é de que ele não existe”. Você acredita nisso? 

De acordo com Oscar Quiroga, colunista do jornal Estadão, “a mentira é necessária como resultado de retorcidos malabarismos mentais que só a humanidade consegue fazer. Esse é um sucesso do qual o homem poderia se gabar, mas não o faz, porque é inconfessável. Ninguém mente por necessidade. Há os que mentem por conveniência, há os que fazem com muita imaginação e há os que praticam a mentira por puro prazer.” No entanto, seu raciocínio termina com um alerta: “Toda a distorção tem prazo de validade e, um dia, de forma aparentemente surpreendente, mas completamente natural, desaba como castelo de cartas.” É neste ponto que chamo a atenção dos leitores! Vocês já ouviram falar numa árvore chamada Jaracatiá?  Ela é da mesma família do mamoeiro. Diria, de maneira simples, que ela tem o tronco oco e quando você rela nela, ela quebra. É dessa maneira que vejo toda a estrutura social de hoje. E por que está assim? Por causa das mentiras! Mentiras grandes, médias, pequenas e microscópicas... 

A estrutura social implica também na estrutura política, principalmente. Os três Poderes da República se tornaram antros de perdição, aonde a principal moeda de troca vai além do dinheiro. Você engana aí, que eu engano aqui. Se nós enganarmos juntos, vamos nos perpetuar no poder. Políticos, trabalhadores intermediários, judiciário, povo... Ninguém mais usa a principal ferramenta do caráter humano: a sinceridade. Falando nisso, anteontem um amigo, escritor em Porto Alegre, me telefonou perguntando se o Palácio dos Bandeirantes havia se mudado da Capital para Presidente Venceslau (!). Ele havia assistido o noticiário da semana e tinha chegado a essa conclusão. Será que isso também é uma mentira cabeluda?! Ou...