Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

A misteriosa morte do pipoqueiro

 Não é desconhecido de ninguém que os grandes filmes policiais do cinema são baseados em casos reais e, geralmente, quanto maior é a dúvida lançada sobre a autoria dos assassinatos, maior é o interesse do público. Na vida real, quando alguém é morto e não se sabe quem é o mentor do delito, a coisa preocupa. Imaginem, senhores leitores, quando isso acontece numa cidade pequena, "onde todo mundo conhece todo mundo." Isso gera apreensão! Quando a gente não sabe quem foi e porque cometeu tal brutalidade, a população fica com medo, muito medo. O dia 16 de maio de 1958 trouxe esse sentimento para os venceslauenses...

Era manhã de sexta-feira. Precisamente às 7 h, a Delegacia de Polícia foi notificada de que durante a noite, por volta das 2 h da madrugada, alguém teria sido assassinado. Tratava-se do pipoqueiro Severiano Elias, brasileiro, solteiro, com 44 anos de idade, de cor parda, natural de Itaporanga, Estado de Sergipe, que residia à Rua Floriano Peixoto, s/n, na Vila Carmem. Durante aquela noite, os vizinhos ouviram gritos e ruídos esquisitos na casa em que Severiano vivia sozinho, não observando, depois, mais sinais de sua existência. Os gritos, "denotavam angústia e pedidos de socorro, mas ninguém teve a coragem de ir até local para verificar de que se tratava." Quando os policiais chegaram à casa do pipoqueiro, entraram e já o encontraram sem vida sobre uma poça de sangue no quarto, perto da cama. Sobre uma cadeira, que servia de criado-mudo, foi encontrada uma lamparina e a importância de Cr$ 1.415,00 em notas miúdas dentro da gaveta de uma cômoda.

A casa na qual Severiano morava era modesta e rústica. Era composta de 2 cômodos: um destinado à cozinha e outro que servia de dormitório. Segundo os primeiros levantamentos, o pipoqueiro havia-se mudado para aquele local quatro meses antes e a criançada das redondezas, durante o dia, ali comparecia, a seu pedido, para ajudar a embrulhar os saquinhos de pipoca. Entre os objetos encontrados no local do crime, a polícia apreendeu um casaquinho de veludo, vestimenta essa própria de mulher, cujo cinto, há muitos dias, fora visto pela criançada no interior da casa. "O casaco, misteriosamente, aparecera naquela manhã, pois os meninos que ali freqüentavam não o tinham visto anteriormente," informou o jornal "A Tribuna", em 18/05/58.

Colado ao corpo de Severiano estava um machado, cuja lâmina estava banhada de sangue. A morte do pipoqueiro ocorreu em decorrência de profunda hemorragia externa, pois o pescoço, na altura da carótida, apresentava grave lesão, provocada por objeto cortante. Na cabeça, segundo exames superficiais, "viam-se várias equimoses, não se sabendo se provenientes de pancadas propositalmente desferidas ou se provenientes da queda do corpo ao solo." Um detalhe: na cama não existiam vestígios de sangue, que indicava não ter sido a vítima atingida no momento em que dormia ou que se encontrava deitada.

O crime gerou medo entre a população! Quem teria cometido essa brutalidade? Se foi roubo, latrocínio, por que não levaram o dinheiro da cômoda? As investigações policiais foram direcionadas a um elemento chamado Gérson Emídio da Silva cujo apelido era "Sujeira", tido como débil mental. "Severiano sempre lhe dava algo para comer em troca de que esse lhe ajudasse a empurrar o carrinho de pipocas." Ele foi preso mais de uma semana após o crime, perambulando em Presidente Epitácio. Depois de seguidos interrogatórios, comprovou-se que não tinha nada de louco! Na sua confissão disse "que freqüentava a casa de Severiano e observou que este carregava sempre uma carteira com dinheiro, produto das vendas diárias de pipoca." Sujeira, na tarde do dia 15, esteve na casa da vítima e viu onde ele guardava a tal carteira "recheada". De madrugada, voltou com um machado de cabo curto escondido nas costas. Quando o pipoqueiro se distraiu, deu-lhe um golpe na nuca. Ele caiu de bruços. Depois de desvirá-lo, o criminoso desferiu-lhe mais um golpe no pescoço. Fez ali uma "sujeira" hedionda...