Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Acabou o gás... E agora?!

Na nossa cidade, o amigo santista Ricardo Filho, da antiga Supergásbras, hoje proprietário de uma loja de presentes e utilidades domésticas pertinho da Rádio Presidente Venceslau AM, foi um dos primeiros a vender botijões de gás de 13 kg na Vila Sumaré. Morei naquela região por mais de 40 anos e recordo-me que, a pedido da minha mãe, costumava ir até um armazém nos altos do bairro para comprar o produto. Fazia isso utilizando uma pequena carriola. Era divertido fazer esse transporte, levando junto, no mesmo "veículo", o meu primo mais novo (William Cavalheiro) que hoje até já é vovô. Como o tempo passa...  

O uso do chamado "bujão de gás" está em sutil decadência. Primeiro porque muitas cidades agora utilizam o produto canalizado. O segundo motivo da queda no consumo de gás está no aumento de produtos elétricos na cozinha. Panelas de fazer arroz, fritadeiras, fornos, máquinas de fazer pão, panquequeiras, omeleteiras e até panelas de pressão elétricas.  Pasmem! Se alguém dissesse que fossem existir tais produtos há 40 ou 50 anos, certamente seria internado em algum hospício.

Aos cuidados das mamães modernas, o bujão de gás pode durar mais de um ano. Isso não é admirável?! Já as mães antigas eram observadoras. Se as chamas do fogão ficassem amarelas e as panelas começassem a ficar marcadas de preto, o gás estava acabando. Se isso acontecesse quando, por exemplo, estivesse sendo assado um bolo, haveria a perda da guloseima já que o processo de crescimento ficaria prejudicado. Agora, eu não poderia deixar de citar aqui, de forma interessante, de como eram feitos os pães caseiros antigamente. Uma bolotinha da massa crua era posta num copo com água. Mamãe fazia isso! Quando essa massinha boiava, sinalizava que o fermento estava no ponto. O pão pronto para assar! E, quentinho, ficava uma delícia...

Ah... Existe uma polêmica no que diz respeito ao momento em que um bujão acaba! Todos consideram que é "numa hora imprópria". Pode ser que isso ocorra num domingo à noite, quando os revendedores estão fechados. Pode ser que aconteça num final de mês quando a grana está curta e o pagamento está longe Rsss... Pode ser que isso ocorra justamente quando o vasilhame de reserva não esteja cheio. Enfim... Todos têm uma história pra contar sobre isso!

Há três ou quatro décadas, quando a gente comprava um fogão na loja, vinham, junto, dois botijões, sendo um reserva. Depois, "cortaram" o reserva. Em seguida, até o "titular". Os fogões passaram a ser comercializados sem nada! Foi um período inesquecível já que se tornou comum presentear noivos em casamentos com um ou dois botijões. Você se lembra disso? Outro aspecto de que poucos se recordam e que acontecia naquele tempo: dizia-se que os homens costumavam utilizar pequenos vasilhames de gás de lampião para caçar; soltava-se gás nos buracos de tatu. O animal saia atordoado e era apanhado facilmente. Depois, era degustado sem problemas... Também não poderia deixar passar: os botijões das cozinhas não usavam capas. Pra mim, eram roupas charmosas e coloridas, algumas feitas de tricô ou crochê. As mamães gostavam de dizer de boca cheia que "foram elas mesmas que fizeram". E todas vizinhas copiavam a idéia...  

O acendimento dos fogões hoje é automático, por ignição elétrica. Um pouco antes, utilizava-se para isso um aparelho em forma de "revólver", chamado "Magiclick", que teve uma publicidade marcante na TV. Nos tempos anteriores ao Magiclick, isso era feito com fósforo. Já para acender os fornos destes fogões tinha-se que acertar um palito de fósforo em chamas num pequeno orifício! Há uns 20 anos, uma mãe aqui de Venceslau foi fazer isso. Abriu o botão do gás e tentou acender o fósforo. O palito quebrou. Ela tentou de novo. E de novo! Quando a primeira faísca surgiu, uma explosão a jogou para o outro lado da cozinha. Só ficou com o rosto chamuscado. Teve sorte!