Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Adultério: a traição documentada

 A mulher exemplar. “Antes de tudo, linda. Esbelta. Elegante. Um olhar inteligente. Lábios frescos, bem vermelhos. Pele rosada. Cabelos castanhos-claros. Jóias caríssimas. Não fumava. Não bebia. Não jogava. Centenas de pessoas paravam para admirá-la. Era discutida. Na maioria das vezes elogiada. Enaltecida. Permanecia impassível. Indiferente. Seus olhos azuis pareciam brilhar de orgulho. Incapaz de dar um sorriso para quem quer que a fitasse. Era um quadro.” Rsss...

O que você leu até aqui é, na íntegra, uma crônica especial do jornalista e humorista Leon Eliachar, que faleceu no dia 28 de maio de 1987, no Rio de Janeiro. Entre as características da “mulher exemplar”, que talvez caiba ao homem com o mesmo título, Eliachar esqueceu-se de dizer que se trata de alguém “fiel”. Nos últimos anos, a traição tornou-se a base da dissolução da família brasileira. Segundo parte considerável dos especialistas, a causa principal disso tudo é a insatisfação com a freqüência sexual. Uma pesquisa indica que os casais praticam, em média, de uma a cinco relações por mês. Isso tem ocasionado um grande número de adultérios, que vem da expressão latina “ad alterum torum”, que literalmente quer dizer: “na cama com outro (a)”.

Há quem diga que “a sociedade sem Deus admite uma ‘união estável’, sem o respaldo espiritual e formal de duas pessoas, inclusive de caráter homossexual. Muitos vêem o casamento apenas como um contrato com prazo de validade.” Um Edital de Citação do 2º Ofício de Presidente Venceslau, de 28 de fevereiro de 1955, publicado no jornal “A Tribuna”, traz uma narrativa surpreendente sobre um caso de traição. O juiz da comarca na época era o Dr. Francisco Matera. A desleal era a Dona Antonia – utilizo aqui apenas o primeiro nome dos envolvidos -, brasileira, de profissão e residência ignoradas; citada por parte de Gerônimo, o enganado, que propunha uma ação de desquite. Gerônimo era comerciário, brasileiro, residente em Presidente Epitácio. 

O histórico do caso também foi publicado: “O requerente contraiu matrimônio com a requerida em 11 de fevereiro de 1943, no cartório de Registro Civil de Assis, tendo nascido desta união dois filhos menores: Maria Aparecida, de nove anos, e Idjalma, de sete anos. Gerônimo logo depois de casado passou a residir em Pirapozinho, onde exercia a profissão de soldado da Força Pública. No exercício dessa profissão era obrigado a se ausentar de sua residência dias seguidos, pois às vezes era recolhido ao Quartel de Presidente Prudente, em casos de emergência, quando se aguardava qualquer comoção interna do país. Em fins de 1945 esse fato se repetiu por várias vezes, em novembro. Ausente de sua casa, recebeu a notícia de que sua esposa, faltando com o seu principal dever, incorria no previsto no Artigo 317 do Código Civil, nos números I e IV.” Pesquisando, esclareço aos leitores que o artigo em questão estava na Lei de nº 3.071 de 1º de janeiro de 1916, revogado pela Lei n.º 6.515, de 1977. Número 1 refere-se a “adultério”. Número 4: “abandono do lar conjugal por 2 anos”. 

Prosseguindo na solicitação de desquite, após receber a notícia sobre a deslealdade da companheira, Gerônimo “foi verificar o que havia de positivo nessa informação. Conseguiu licença de seu comandante e cautelosamente conseguiu verificar a exatidão da informação, isto é, flagrou a esposa em adultério. Os fatos foram provados.” Os filhos de Gerônimo “ficaram desde então sob sua guarda, vivendo em ambiente puramente familiar.” A citação do edital de Dona Antonia tinha prazo legal de 30 dias para sua contestação. O documento foi datilografado e subscrito pelo escrevente venceslauense Laerte Franco Arruda. Vê-se, assim, que a traição amorosa já vem de longa data...  

Atenção leitores: em breve estarei trazendo matéria interessantíssima sobre a mais nova e principal causa de traições no Brasil de hoje: a internet. Chocantes relatos demonstram o volume das dores, das tristezas, dos pesadelos, das doenças sexuais que envolvem os casais modernos que se utilizam de traições virtuais que terminam nas camas de motéis. Aguardem!