Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Ainda existe mel na lua?

 Alfredo e Júlia são noivos há quinze anos. Alfredo trabalha no Rio e ela, na Paraíba. Eles se casam por procuração e quando a esposa chega ao Rio de Janeiro, a primeira coisa que fazem é comemorar o casamento numa boate de strip-tease. Ao voltarem para casa, ele transfere a lua de mel para o dia seguinte, pois comeu muito na festa e não passa bem. Outros pretextos atrapalham a consumação do matrimônio, como um telefonema, a presença da arrumadeira, uma dor de cabeça. Quando tudo parece propício, Júlia fica menstruada e a lua de mel é, mais uma vez, adiada... Rsss

As informações até aqui estão no Guia de Filmes Brasil Cinema, datadas 1975, correspondentes ao filme “Lua de mel sem começo... E sem fim”, do diretor Nilo Machado. É provável que aqui, interior, em Presidente Venceslau, este filme tenha sido exibido no ano de 1976, no antigo Cine Bandeirantes. Um ano depois, este cinema fechou. Isso nos faz lembrar: será que ainda perdura até hoje o costume da lua de mel? Tal como os “hífens” que se perderam ou caíram na Língua Portuguesa neste vocábulo, será que a lua de mel também caiu em desuso? 

A discreta escritora Ana Meira tem um raciocínio bem interessante e que talvez caiba agora nesta crônica. “Esperar não era meu forte, mas a cada degrau o meu forte se torna esperar.” Será que as pessoas ainda estão “esperando” os seus amados e amadas de maneira casta, pura, virgem? Na Bíblia, as primeiras citações a respeito estão no livro de Deuteronômio, no capítulo 24: “Quando um homem tiver casado recentemente, não sairá à guerra, nem assumirá nenhum compromisso público; por um ano inteiro estará livre para ficar em casa e fazer feliz à mulher com quem se casou.” Repare que a condição expressa aqui é “quando estiver casado!” Na verdade, quase ninguém está dando atenção a esta orientação ou às instruções que o Criador tem nos passado. Hoje, creio que poucos têm se guardado para isso. O sentido prático deste mundanismo é: repare quantas pessoas aparecem na cerimônia religiosa de casamento na igreja e quantos vão ao salão de festas. As pessoas, sem dúvida nenhuma, preferem as festas! Assim também o fazem na relação afetiva e amorosa, antecipando as coisas. Estou certo?! 

E não é somente isso! A farra da humanidade não tem limites. Recentemente, na Austrália um americano em lua de mel foi acusado de matar a esposa afogada. A promotoria alegou que “ele teria desligado o tanque de ar de sua esposa durante um passeio de mergulho numa barreira de corais e a mantido submersa.” Já no Iêmen, em setembro de 2013, teria acontecido aquilo que a minha avó, se viva fosse, diria: “uma barbaridade sem tamanho!” Uma menina, de apenas oito anos, teria morrido durante a lua de mel com o marido de 40 anos (!). Em 2010, já havia acontecido caso similar com uma garota de 13 anos, que faleceu em função de sangramentos internos. “Há quatro anos, uma lei tentou colocar a idade mínima de 17 anos para o casamento no Iêmen. No entanto, ela foi rejeitada por parlamentares conservadores, que a classificaram de ‘não islâmica’.” Será que podemos confiar nestas notícias? 

O fato é que antigamente, manter-se virgem até o casório era basicamente uma “regra”, principalmente entre as mulheres. Já hoje, nem tanto! Talvez nada seja tão especial para homens e mulheres quanto o casamento, essencialmente os que são realizados no altar, diante do Criador. Além das alianças, do arroz, das juras eternas, reza a tradição que a lua de mel é a coisa mais esperada. É a tal fe-li-ci-da-de! Isso me fez lembrar do saudoso radialista sertanejo Osmar Pacito. Hilário ao extremo, nos áureos tempos da Rádio Presidente Venceslau, contava um chiste diariamente no programa “Amanhecer na Roça” e no “Crepúsculo no Sertão”. Ao anunciar a publicidade de um ou outro bazar de roupas da cidade, dizia que “a noiva sempre sonha com a felicidade. Sonha com o ‘tamanho’ da felicidade; sempre sonha com a felicidade entrando e saindo... Da igreja... Com o vestido de noiva comprado em tal lugar!” Daí, ouvia-se uma risada escandalosa para chamar atenção dos ouvintes e consumidores. Rsss...