Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Amor, sempre estranho amor...

 Há pouco mais de sessenta anos, como o leitor contumaz deste cantinho já observou em edições anteriores, circulava por Presidente Venceslau, o jornal “A Tribuna”. Era um informativo dinâmico, avançado para a época, que trazia páginas literárias de peso, boas meditações e notícias não somente da cidade, mas do mundo inteiro. Um dos colunistas mais lidos tinha o pseudônimo de “Paquito”, que depois descobrimos pelo próprio matutino, tratar-se de um senhor de nome Rocha Camargo. As matérias publicadas por ele vinham de todas as partes do planeta e repercutiam entre os venceslauenses, com grande interesse. A maneira como Camargo expunha suas idéias era exatamente inversa de como faço hoje, aqui no jornal “Integração”. Na sua crônica, Paquito primeiro comentava uma determinada questão ou assunto, fazendo um comparativo com a sociedade em que ele vivia na época. Depois, esclarecia onde havia acontecido realmente o fato que ensejou tal reflexão. Suas opiniões naquele antigo periódico traziam uma leitura leve, descontraída e engraçada, também aos domingos. A reprodução de alguns acontecimentos expostos por Camargo deixará agora seu dia mais feliz...  

Sobre estranhos relacionamentos amorosos, Camargo falou muitas vezes. No dia 03 de março de 1953, discorreu sobre uma americana, uma senhora de nome Helen Lucas, que intentou uma ação de divórcio contra o seu marido John Hart, em virtude deste haver-lhe aplicado uma tremenda surra de chicote. Sabendo que o esposo se encontraria com a amante, Helen resolveu esconder sua peruca. Rsss... Isso gerou uma briga na justiça! O marido, careca, conformou-se com a decisão judicial que lhe foi desfavorável. Porém, exigiu a devolução da cabeleira postiça. O juiz concedeu o divórcio, mas afirmou que “não era da sua alçada a devolução da peruca”.

No dia 17 de abril de 1953 Camargo discorreu sobre o encontro de dois idosos que haviam-se casado quarenta e cinco anos antes, na cidade de Bari, na Itália. Estavam o ancião e a anciã com 78 e 76 anos respectivamente. Meses depois de contraírem matrimônio, a mulher arranjou um amante e deixou a casa. Na época o marido abandonou o trabalho e caiu na mendicância e no álcool. Nesse ínterim, morreu também o amante da esposa. Isso também lhe trouxe desilusão fazendo que, solitária, se tornasse meretriz e, posteriormente, também mendiga. Reencontraram-se na casa de repouso e houve o perdão mútuo e a reconciliação. “Para além, muito além... Para a morte!”, afirmou Rocha Camargo na sua crônica. 

No dia 9 de agosto de 1953 trouxe outro caso pra lá de esquisito. Também na Itália, em Tollogno, a jovem Gioconda Collete enamorou-se de um rapaz que não lhe deu a devida atenção. Largaram-se. Gioconda ferida em seu amor próprio planejou um modo engenhoso de suicidar-se e matar, ao mesmo tempo, o causador de sua infelicidade. Estudou os locais onde transitava o ex-noivo. Subiu num prédio e pulou certeiramente sobre o rapaz. Ambos foram hospitalizados em estado grave. Passaram a andar de muletas. Daí se depreende que “o amor quando não mata, aleija”... 

No dia 06 de junho de 1954, o colunista venceslauense trouxe uma narrativa difícil de acreditar para a época e para hoje. Aconteceu nos Estados Unidos! “Uma linda moça de 15 anos casou-se com um rapaz de 26. Após dois anos de matrimônio, os chefes da firma onde o Robert - o parceiro - exercia função de caixa, deram queixa à polícia de um desfalque de nove mil dólares. As investigações revelaram que ele já havia sido processado e preso anteriormente, por ter tentado se livrar do Serviço Militar. Descobriram nos exames médicos que ele, na verdade, era ela. A jovem esposa, ao saber do ‘marido’, teve um desmaio. Como se explica que, durante dois anos, uma esposa não tenha descoberto que seu esposo era uma mulher? Para as autoridades, a jovem adolescente disse: “sempre tivemos um matrimônio normal!” Para dizer o mínimo, é estranho!   

Nem parece, mas tudo isso ocorreu há mais de seis décadas. Será que algo mudou?