Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Dançando com fome

Em todos os anos, nesta época, manifestam-se os impulsos da alegria e do entusiasmo despertados pela festança popular. E meticulosos preparativos movidos a muito dinheiro. Planejamento elaborado durante meses. Das favelas e dos morros paupérrimos das iluminadas metrópoles movimentam-se infindáveis cortejos que se esparramam pelas avenidas engalanadas, num verdadeiro turbilhão humano. Iluminam-se os imensos salões onde, durante cinco noites, são poucos os que se divertem sem exibir os primitivos instintos do homem, em nome da alegria que disfarça o festival da licenciosidade predominante, não só nos festejos, mas na sociedade de forma crescente, sob o estímulo da promiscuidade televisiva. É o império da ilusão que se apodera das mentes despreparadas de homens e mulheres, atingindo adolescentes e crianças, deslumbrados pela alegria a qualquer custo.

 

No momento em que perigosos inimigos da humanidade assumem lugar destacado, como a fome, o interesse pela guerra fratricida, a falências dos sistemas educacional e prisional, a insuficiência dos órgãos mantenedores da saúde pública requerendo recursos gigantescos, até os governos locais, incapazes de atender às prementes carências do povo, na saúde e na segurança, esquecem seus apertos orçamentários e se rendem ao que consideram uma exigência da tradição e da alegria popular. É a Nação dominada pela folia, despendendo recursos em alegorias, ricas fantasias que mostram ao mundo a grande festança que ocorre no país da “fome zero”. Jornais e revistas alcançam plena abundância em permissividade e licenciosidade aderindo à loucura, a ponto de explorar os mais ricos detalhes da orgia que incentiva o desrespeito aos valores morais.

 

Aos segmentos religiosos cabe a tarefa de perseverar na renovação radical dos costumes arraigados no atraso espiritual da humanidade. A transformação que o Criador espera ocorrer na família terreal terá que se desencadear, pois as forças do Bem continuam ativas, embora cresçam as do Mal, para gáudio dos pseudo-guerreiros da paz, falsos defensores da vontade do povo. E o erário público continua fornecendo tinta para o colorido desse dantesco quadro de desperdício que se cristaliza aos nossos olhos.

 

Não esmoreçamos, todavia. Acreditemos ainda na renovação dos costumes, no aperfeiçoamento das Leis Humanas que, por enquanto, protegem minorias e geram gritantes desigualdades. Ainda podemos crer que os parcos recursos dos órgãos públicos atenderão aos enfermos nas portas dos hospitais, reconstruirão as rodovias que roubam vidas e dilaceram famílias, movimentarão com eficiência os mecanismos de segurança da população. Ainda devemos crer que deixaremos de pedir socorro ao mundo para o combate à fome, passando a empregar com parcimônia e inteligência responsável os recursos que o trabalho gera.