Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Lavar as mãos para a Verdade

Pesquisas recentes na Suíça apontam: idosos com mais de 60 anos têm 14% de chances de morrer no dia do seu aniversário. Foi constatado também que o risco é 18% maior de ataque cardíaco fulminante para aniversariantes em geral e 21% maior de derrame fatal no caso de mulheres. Talvez, aqui pese a emoção que a data possa ocasionar! Reflita: entre os homens, a probabilidade de cometer suicídio é 35% maior neste dia. A causa de tudo isso, segundo os cientistas é o consumo de álcool na data de aniversário, além da rotina estressante das pessoas. Os especialistas questionam estes dados e as coincidências sob a alegação de que as datas de nascimento e as de óbito, em muitos casos, se devem aos erros nos registros, nos documentos pessoais. A questão é: tal relato é verdade ou não? Confirmo apenas que a fonte da notícia é uma publicação religiosa que, diante da exposição que proponho, prefiro não citar.

Já que começamos no campo religioso, refaço aqui uma pergunta do juiz Pôncio Pilatos ao Mestre: o que é a Verdade? Atualmente, muitos dizem que “cada homem tem a sua verdade.” Outros compreendem que ela não é de ninguém; “é somente daqueles que a entenderem”. O filho do Criador esclarece que “veio ao mundo para dar testemunho da Verdade.” O ponto chave para compreendermos claramente o que é a verdade, incrivelmente, está na ação de Pilatos. Na narrativa das Escrituras Sagradas, assim que ele faz tal pergunta ao Mestre, sai sem esperar a resposta. Depois, lava a mãos e se acovarda! Isso tem acontecido conosco nos dias de hoje, já que temos postergado o pleno conhecimento da Verdade, virando as costas cabalmente ao Criador. 

Não podemos deixar de citar outros pontos intrigantes sobre a verdade. Você, que está lendo esta exposição, já ouviu nos programas policiais de TV alguma declaração similar a que vou relatar. Recentemente vi e ouvi um assassino se justificando diante das câmeras e dos microfones desta maneira: “Eu matei fulano porque ele não prestava!” Em seguida, na mesma reportagem, alguém afiançou a declaração: “É Verdade!” Diante de um mundo tão conturbado, a verdade – que é particular! – também pode nos levar a fazer a nossa Justiça. Somos surpreendentes. Maus! 

A minha conclusão talvez seja, em parte enigmática, mas tem fundamento. Nos dias de hoje é preferível falar uma mentira verdadeira a uma verdade falsa. É isso aí que você leu! Há poucos dias, Rachel Sheherazade, conhecida e competente jornalista, foi “afastada” de suas funções no SBT. O motivo talvez tenha sido sua maneira de opinar, com rara coragem e clareza. Sobre um ladrão que foi pego por populares afirmou: “O marginalzinho amarrado ao poste era tão inocente que, ao invés de prestar queixa contra seus agressores, preferiu fugir antes que ele mesmo acabasse preso. É que a ficha do sujeito está mais suja do que pau de galinheiro.” A opinião chegou a Brasília e os políticos “honestos” de lá ficaram indignados. Enxergaram apologia ao crime. Ameaçaram cortar até a verba de publicidade do canal! Um ou dois dias após, o bandido voltou a cometer o mesmo crime. Quem falava com sinceridade: a jornalista ou os íntegros ofendidos representantes do povo? E mais: a verdade para o governo é o que lhe interessa!  

No cinema, a verdade é quase sempre retratada com sarcasmo. Isso pode ser visto no filme “O Mentiroso”, com Jim Carrey. Um advogado é posto numa situação delicada pelo filho. Tudo por causa de um pedido: ao soprar as velas do bolo de aniversário, a criança pede que fale somente a verdade por um dia. A coisa se enrosca porque o advogado tem que defender num tribunal uma mulher que traiu o esposo. Também em forma de comédia, quem tem um pouco mais de idade se lembra do caricato, honestíssimo e crédulo personagem do humorista Chico Anysio, Santelmo dos Anjos, que era esposo da “fiel” Dona Dadivosa. Santelmo acreditava cegamente nas esfarrapadas desculpas da mulher adúltera e ainda dizia: “Tem que ser que nem que eu sou: durão!” Rsss...