Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Medo e coragem no mesmo balaio

De algum tempo para cá, sinceramente, venho passando muito medo. Não é fácil confessar isso publicamente, principalmente quando o otimismo e a mentira parecem bem mais atrativos para nossas vidas. Muitos esquecem que por trás destas palavras, deste cronista, eu ainda sou gente e do estilo bem comum. Do tipo que treme diante da brutalidade e do caos que se instalou na nossa sociedade! Eu nunca vi - e desconheço que existiu ao longo da história humana - uma geração tão anti-Deus como esta na qual nós estamos inseridos. Onde a maldade não tem freio! Isso me deixa angustiado. Por quê? Porque, assim, cada um está-se achando no direito de ter a sua verdade em particular. No direito de agir da maneira que entender! Somos forçados, a título de não nos tornarmos preconceituosos, a aceitar tudo quanto é bizarrice e pouca-vergonha modernas. A verdade absoluta do Criador desapareceu! Por isso, sinto medo, muito medo. Apelo para a franqueza das pessoas: não se trata apenas de uma indignação com as coisas erradas que constatamos ao nosso redor. É algo muito mais profundo. Você se sente assim também?

Fui buscar explicações para acabar com esse temor. Passei a semana inteira procurando e enumerando respostas. A primeira delas surgiu no filme “Depois da terra”, com Will Smith, que tentou me acalmar: “O medo não é real. O único lugar onde o medo pode existir é em nossos pensamentos sobre o futuro. É o produto da nossa imaginação que faz que tenhamos medo de coisas que não existem no presente e que, talvez, nunca cheguem a existir. Isso é quase loucura! O perigo existe de verdade, mas o medo é uma escolha.” Portanto, temos medo do perigo. E esse perigo hoje está em tudo quanto é lugar.  

Fui assistir à televisão. Fiquei chocado com crimes hediondos e com crimes que ferem, não apenas a nossa capacidade de racionar corretamente, como também, a nossa capacidade humana de existir. Flagrado pelas câmaras de segurança, um “simples” ato de vandalismo chamou a minha atenção. Na cidade de Maringá, um jovem “magro, alto, com cerca de 30 anos, de bermuda, chinelos e camisa na mão” quebrando uma a uma as copas de 60 mudas de ipês plantados ao longo de uma avenida. Alguém me diz aí: o que a gente faz com um indivíduo destes? Acho que é preciso coragem para dizer. Mesmo sendo cristão, confesso que a minha paciência se esgotou ali embora tenha até lembrado da Bíblia; do uso do chicote para a expulsão dos cambistas do templo! Pessoal: vamos deixar de passar a mão na cabeça de quem não presta! E descer o sarrafo. Ou vocês preferem que eu minta? Não, não... Ele é bonzinho, coitado. Só estava se divertindo!

Medo e coragem estão juntos. Também durante a semana, ouvi um sermão extremante valioso do pastor José Ostemberg, que veio de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para Presidente Venceslau. Falou sobre como vencer o medo. Durante sua prédica, recontou um episódio que merece ser relatado aqui. O seu irmão, policial de nome Bilac, foi atender a uma ocorrência estranha. Durante um baile de final de semana, alguém entrou num salão e efetuou vários disparos para o alto. Houve uma correria danada. Gritos! Cinco pessoas ficaram acuadas num canto, se tornando por algum tempo, refém do atirador que logo foi identificado. A cena de valentia protagonizada pelo seu irmão policial se tornou uma espécie de lenda naquela cidade. Pelo lado de fora, Bilac falou em voz alta: “Olha fulano. Preste atenção, cidadão: eu estou com muito medo de você. Um medo terrível. Um medo de lascar! Mas, ouça. Jogue sua arma fora. Se entregue para facilitar as coisas. Mesmo com esse medo que eu estou agora, minha profissão me obriga a entrar aí para resolver essa situação. Eu vou entrar. Eu estou armado. Saia daí ou um de nós dois vai sair de rabecão aí de dentro...” Ouviu-se um “silêncio” sepulcral após a fala do policial. Dez segundos após, o revólver do atirador foi lançado pela janela, batendo e rolando pela calçada...