Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Miseráveis homens que somos!

Um chefe beduíno morreu. Tinha três filhos e um rebanho de 17 camelos. No seu testamento deixou metade do rebanho ao filho mais velho, um terço ao filho do meio e um nono ao mais jovem. Os filhos ficaram em desespero. Era impossível realizar a vontade do pai sem ter de cortar um camelo ao meio. Aflitos, recorreram aos homens sábios da aldeia. Depois de muito pensarem, os sábios reconheceram que não tinham resposta para o problema que parecia insolúvel pelas leis da matemática, e aconselharam os filhos a falar com o negociante de camelos. O homem sorriu perante a aflição dos herdeiros. Levantou-se vagarosamente e foi buscar um dos seus camelos, que acrescentou ao rebanho a distribuir. Eram agora 18. E o velho mercador começou a fazer a divisão; metade (9) para o filho mais velho. A terça parte (6) para o do meio. A nona parte (2) para o mais novo. Sobrou um camelo… o comerciante recebeu o seu animal de volta e disse: “Está resolvido e boa sorte!”

É impressionante, enquanto sociedade, a maneira como dividimos as coisas. É de igual modo espantoso, como isso tem mexido com a nossa dignidade. Será que os nossos governantes merecem respeito? Será que nós, como cidadãos, estamos fazendo que sejamos respeitados, também? Quando vemos um volume gigantesco de pessoas nas portas de bancos para receber dinheiro que não é fruto do próprio trabalho, eu penso que não existe esperança em mais nada. E não há dúvidas: a miséria espiritual gera a miséria social. Violência, suborno, descaso, corrupção... São apenas alguns dos aperitivos de hoje que introduzirão o triste, o desgraçado prato principal de amanhã. Quem sabe que prato será esse?

Há poucos dias, num comentário no Blog do Toninho Moré, afirmei que “quando o Estado que se diz laico começa a ganhar dinheiro com o pecado, o fim está muito, muito próximo mesmo.” Depravação sexual, prostituição, impunidade! A nobreza espiritual dos homens desapareceu. No final do ano passado, a mesma indignação compartilhei com um idoso à porta da igreja, que na sua experiência respondeu: “O cerco está-se fechando!” Contestar essa posição é contradizer a Bíblia que é clara nesse ponto: cada um deve viver do suor do seu rosto. A verdade é uma só: compartilhar, doar, dividir o que temos de maneira cega com os que não esboçam nenhum trabalho ou luta é pura idiotice. Será que isso não é cumplicidade com coisas erradas?

Infelizmente, vivemos o caos moral. Tornamos-nos maus! Governantes e governados... A escritora Ana Beatriz Barbosa Silva, em seu livro “Mentes perigosas” esclarece isso, na página 192: “Até bem pouco tempo atrás, nas novelas, nos romances e nos filmes, torcíamos e nos identificávamos com os personagens do bem que, no geral, eram vitimados pelas diversas circunstâncias dos enredos, mas que se mantinham éticos e triunfavam no final. Assim, de forma quase natural, estamos abandonando os mocinhos e seus ideais morais de justiça e solidariedade. Os heróis dos novos tempos são maldosos, inescrupulosos e isentos de qualquer sentimento de pena e até certa intolerância com seus discursos utópicos e ingênuos. Os heróis do passado estão-se tornando os otários dos tempos modernos.” Isso ninguém discute!  

A Filosofia Cinza arremata: “Isso complementa a lógica sócio-econômica que devora a todos, deixando alguns com uns contos a mais, outros com os trocados de todos, mas todos sem dignidade nenhuma. Dou-lhe o que tenho. Também eu partilho com ele a minha miséria. Algum dinheiro é o nome da minha pobreza. O banco autorizado juridicamente a roubar de todos, impera intacto como o templo onde rezamos a cada dia para a única deidade realmente respeitada em nossa época: a deusa com corpo de abutre e duas cabeças, a da usura e da avareza.” Não há o que contestar!

Quem pode nos livrar do mal maior? Só Deus!!! As forças humanas do bem estão-se diluindo...