Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Nossas desculpas esfarrapadas

Imediatamente antes de ascender ao trono da Inglaterra, a rainha Elizabeth II enviou convites especiais para certos súditos comparecerem à cerimônia de coroação. Entre os convidados estavam pares do reino, membros do parlamento e do povo comum. Todos os segmentos sociais estavam representados e, em cada caso, o convite trazia as seguintes palavras: “Extinguem-se todas as desculpas.” Quando a realeza convoca, aquilo é uma ordem e não uma simples sugestão. Apresentar desculpas é nada menos que rebelião.

Tem sido uma constância na vida de algumas pessoas o uso de desculpas. É verdade que o tempo tem sido pouco, mas, por outro lado, sempre arranjamos espaço na agenda para fazer as coisas das quais gostamos. O cérebro “cria” um radar especial para captar e, imediatamente achar uma brecha nos nossos afazeres apenas para tudo que nos dá prazer. E para justificar uma ausência, por exemplo, para não comparecer em determinados eventos pelos quais não temos qualquer simpatia, a criatividade do brasileiro para escapismos é fenomenal. 

Cada um tem a sua “sacola” de desculpas, de fugas, para não cumprir algo que contrarie sua vontade. O problema é que alguns pretextos usados, por vezes, nos escravizam. Por virem misturados com esta ou aquela “mentirinha”, somos pegos em contradição, o que gera um embaraço sem tamanho. Num tempo distante, o grande inventor americano Benjamin Franklin já alertava: “Pessoas que são boas em arranjar desculpas raramente são boas em qualquer outra coisa.” Ainda que muitos possam negar, cidadãos assim são bem conhecidos de todos. Quase sempre o excesso de “negativas furadas” atinge a reputação de seus autores; tornam-se populares pelo deslize. 

Existem coisas necessárias a serem feitas. Quando uma desculpa sem consistência surge cria um dissabor muito grande no grupo ao qual estamos inseridos ou até no lar. No relacionamento dentro de casa, entre marido e mulher, essa atitude pode esconder alguma grande safadeza. Há quem se indigne e rompa a relação! Contudo, existem também as acomodações que normalmente envolvem muitos interesses. Surgem os que preferem o silêncio e fingem que nada está acontecendo! Assim, criam um quadro bem parecido com a aquela frase: “o pior cego é aquele que não quer ver.” Você conhece alguém que vive desta maneira?

No cotidiano, os pretextos para faltar no serviço são bem conhecidos. O Departamento de Pessoal ou o patrão tem que ter muita paciência para ouvir determinadas explicações: “Olha, não dá prá ‘mim’ ir hoje porque a tia da minha mãe morreu”; “Estou com a garganta inflamada”; “Sabe, caí da bicicleta ontem!”, enfim. Com sinceridade, quem falta ao serviço por qualquer coisa é porque tem alguma outra fonte de renda ou tem como dar um jeito de resolver a falta de parte do salário. A sociedade analisa da seguinte forma quem faz isso: “Esse aí nem precisa trabalhar mesmo!” Geralmente associa o nome de família à condição de faltoso. É isso que acontece...  

Agora, desculpas sem pé e nem cabeça mesmo são aquelas usadas para não ir à igreja. O “cristão” moderno é especialista nesta área. Além de usar deste subterfúgio, por vezes, ainda culpa - na maior cara-de-pau! - os outros, pelo seu erro. “Hoje eu não vou! Eu não gosto quando fulano prega”. Uma petulância contra os que trabalham pela obra de Deus. Vou relembrar algo que escrevi aqui neste espaço em 2009, onde relacionei as mais estranhas desculpas: “Estou muito cansado!”; “Os bancos da igreja são duros demais”; “Vai chover!”; “Está frio e estou resfriado!”; “Não vou porque a pregação é demorada!”. E as festas mundanas não são? Existem pessoas que não vão porque trabalham no domingo. E há também as que não comparecem porque têm que trabalhar na segunda-feira. Rsrsrs... 

Certa vez, após o almoço, um amigo cochilava no serviço. Quando acordou atordoado, o chefe estava bem à sua frente. O “esperto” fez o sinal da Cruz e ainda murmurou baixinho: “Em nome de Jesus, amém!” O que eu aprendo aqui: na nossa sacola de desculpas esfarrapadíssimas tem de tudo que a gente imaginar. É só procurar...