Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

O culpado de tudo isso

Um casal saiu de férias e ao voltar, encontrou a residência arrombada. Os ladrões tinham levado tudo que havia dentro da casa. O marido, com olhar acusador, fitou a mulher, dizendo que as trancas não tinham sido colocadas. Ela por outro lado olhou para o marido com ar de condenação dizendo que ele havia se esquecido de trancar as portas com a chave. E uma longa discussão começou e a cada minuto que passava a gritaria dos dois era maior, a ponto de os vizinhos chamarem o padre para acalmar os ânimos do casal. “A culpa é dela, que sempre foi desleixada”, disse o marido. “Não, a culpa é dele, que não presta atenção no que faz”, respondeu a mulher. Um momento  disse o padre,  vivemos culpando uns aos outros por coisas que jamais fizemos e terminamos carregando um fardo que não é nosso. Será que nunca ocorreu a vocês a idéia de que os ladrões são os verdadeiros culpados do roubo?

Acompanho, com grande descrença, todo o movimento que envolve a prisão dos Mensaleiros da República. Se olharmos atentamente a história deste país, veremos que para cada peça tirada de lugar, há um sentido prático mais adiante. Não vamos nos alongar a comprovar isso com muitos argumentos, porém, não poderia deixar de voltar aos idos dias de 2010, quando José Serra perdeu as eleições presidenciais. Em tom de quem compreende não só a política, mas principalmente o povo, disse assim: “Nós apenas estamos começando uma luta de verdade. A minha mensagem de despedida neste momento não é um adeus, mas é um até logo.” Não sabemos ainda se esse sujeito voltará, mas a história diz que “sim”, ou pelos menos, é muito provável.

Em 1992, diante de um processo de impeachement, o então presidente Fernando Collor de Mello renunciou ao cargo. Ocupando a página dos jornais locais, escrevi que se Collor quisesse “voltaria ao poder em qualquer cargo mais adiante, menos para Presidente da República.” Muitos entenderam que essa afirmação era um absurdo. As críticas que este cronista recebeu foram severas. Na verdade, chegaram ao campo da zombaria! Em 2006, Fernando Collor assumiu uma cadeira no Senado; o mesmo plenário que cassou seus direitos políticos anos antes. Então, o que dizer dos fatos que estão sendo vistos hoje? Dos mensaleiros?

Não se trata de desacreditar no Brasil. Trata-se de conhecer esta terra! Infelizmente, é degradante que poderemos reviver tudo isso daqui a algum tempo. O sistema político brasileiro autoriza que um bandido tome posse no Senado ou na Câmara. E pasmem senhores leitores: mesmo sendo comprovadamente corruptos e membros de quadrilhas perigosíssimas ainda ganham o direito de assumir as Comissões de Constituição de Justiça destas casas (!). Mesmo sendo traidores da confiança pública, esses elementos gozam do privilégio de serem donos da consciência política de incautos cidadãos e daqueles que fingem que não estão vendo essa roubalheira. Ou dos conformados que dizem assim: “fulano também roubava; por que eles não podem roubar, também?” Veja: eles têm orgulho dos ladrões que roubam eles e as suas famílias. Estranho, não?

Espantosamente, os políticos criminosos que roubavam em qualquer lugar do país, agora, querem cumprir pena ao lado de suas casas. Ou até mesmo no interior destas! Não querem usar algemas. Criticam o sistema penitenciário que eles mesmos comandam há mais de dez anos. Questionam o tratamento de saúde oferecido pelo sistema carcerário. Ora, quando estavam enchendo a cueca de dinheiro público, ninguém reclamou de dor na bunda. Concorda?

Alguns de nós temos, sim, uma parcela de culpa nos erros do Brasil. Porém, pela mesma brutalidade com que mataram criançinhas em hospitais caindo aos pedaços; assassinaram idosos pagando uma mixaria de aposentadoria; chacinaram cidadãos pelas estradas precárias, peço a cada mensaleiro prisão no regime de RDD de Presidente Bernardes por tempo indeterminado...