Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

O nascimento de trigêmeos no interior

 Entre os acontecimentos mais incomuns em Presidente Venceslau, há um registro especial: o nascimento de trigêmeos. O fato se deu no dia 14 de dezembro de 1952, no bairro rural da Lagoa Seca, na fazenda de café de propriedade do Sr. Arduíno Bonifácio. Os pais felizardos foram Luiz Vieira de Souza e Luzia Maria Vieira. Eles chegaram aqui em meados de 1948 e foram morar como colonos na referida fazenda procedentes do Estado de Alagoas, do nordeste brasileiro. Os recém-nascidos foram trazidos para o Hospital Álvaro Coelho, onde estavam aos cuidados do médico Dr. José Mendes Ribeiro. A mãe das crianças, dona Luzia, “tinha apenas 30 anos. Com os trigêmeos, o casal completou 11 filhos, sendo 7 ainda vivos. Luzia se mostrava satisfeita e vaidosa pelo nascimento de trigêmeos”. Segundo o jornal “A Tribuna”, datado de 21 de dezembro de 1952, “o Dr. Mendes informou que ao constatar a precariedade do local onde se encontrava a família de Luiz Vieira de Sousa, impróprio para receber socorros e assistência imediata aos trigêmeos, solicitou e obteve ajuda da Prefeitura de Presidente Venceslau e do Hospital Álvaro Coelho, removendo incontinenti a mãe e os três pequenos para a cidade, onde foram internados naquele estabelecimento hospitalar.”

O jornal informou ainda que “a dedicada parteira Dona Cecília também está acompanhando as crianças e esclareceu que são dois meninos e uma menina, relativamente fortes. Ao nascerem acusaram os seguintes pesos: a menina Ivone, 2,1 quilos; um dos meninos, o Ildo, também 2,1 quilos e o outro, o Ivo, 1 quilo e 650 gramas.” Totalizaram, portanto, 5 quilos 850 gramas. Dá para imaginar o tamanho que estava a barriga da Dona Luzia Maria? A família não tinha recursos para mantê-los e recebeu a atenção da comunidade venceslauense. Neste ponto está o cerne desta crônica: a solidariedade. Nosso povo sempre se dispôs a ajudar aqueles que mais necessitam ou que passam dificuldades. Pela Rádio Presidente Venceslau foi veiculada uma campanha para que a população contribuísse financeiramente no sentido de auxiliar os venturosos pais, que são modestos lavradores e necessitavam de amparo. 

A campanha encetada pela população e a lisura para ajudar aquele casal de lavradores foi comovente. Talvez não se encontre tamanha transparência do que foi feito como naqueles idos dias da década de 50. No dia 1º de março de 1953 saiu uma nota de prestação de contas no jornal que chamou a atenção do povo para o que estava sendo executado em favor daquela família. Informava que duas ilustres damas da nossa sociedade, a professora Vitalina de Almeida Prado Ribeiro e dona Marieta Leal Donegá divulgavam o balancete do que fora arrecadado. Em dinheiro foram 4 mil 530 cruzeiros. Importância que veio da emissora Rádio Presidente Venceslau. 

Foram relacionados: a compra de roupas, camisolas para a mãe, frutas, medicamentos nas farmácias Avenida e Santa Maria; o saldo restante estava sendo utilizado de acordo com a necessidade da família. Também foram doados donativos de todo o tipo: bercinhos, latas de leite em pó, roupinhas as mais variadas, cobertores, enfim, tudo de que as crianças precisavam na época. Veja agora se você conhece alguém. Entre as pessoas que colaboraram estavam: Mário de Almeida Prado, Mariano Pacito, Antonio Rainho Filho, Odete Reis Salomão, Otelo Bertolozzi, Elizabeth Oebsger, João Herrera, Adolfo Fagnani, Ana Maria Bueno, João de Carvalho, Albano Guímaro, Pedro Amauri R. da Luz, Luiz Rezende, Dra. Isabel de Campos, Joana Marques Miranda, Frederico Hissung, Luiz Nacai, Emílio Estrela, José Carlos da Silva, Manoel Alves, Alice Coelho, Creusa Regina Ardevino, Natalino Ardevino, Maria Soriano, Ebro Ravaioli, Acácio Lopes e Ezidro Tacca. Também ajudaram: o Centro Espírita, A Discolândia, o Foto Brasil, a Primeira Igreja Batista, a Casa das Fábricas, entre outros.