Área de Conhecimento

Nesta secção há o compartilhamento de artigos, textos, opiniões e ideias sobre assuntos que envolvem a nossa sociedade como um todo de forma a permitir o desenvolvimento de uma opinião crítica principalmente sobre situações que envolvem o nosso dia a dia, não apenas como pessoas, em nossas relações mais próximas, bem como aquelas interações profissionais.

Obituário - 1958

 Causou profunda consternação em Presidente Epitácio, onde residia desde 1921, sendo um dos seus fundadores e dos mais antigos moradores, o falecimento do Sr. Joaquim de Souza Martins ocorrido no dia 02 de novembro de 1958. Veio a óbito na capital, onde se encontrava há meses em tratamento de saúde. O seu corpo foi transladado para Epitácio, tendo grande parte da população comparecido ao seu sepultamento. O extinto era solteiro, deixou irmão e sobrinhos.

No dia 13 de novembro de 1958, o soldado de nº 14.937, da Força Pública do Estado, José Pinheiro de Araújo, que se encontrava no Bar Central, na Av. Tiradentes nº 130, em Presidente Venceslau pôs termo à vida, ingerindo uma dose de formicida "Tatu" em um copo de guaraná. Pinheiro tinha 32 anos e era nascido em Correntes, Estado de Pernambuco. Era casado com D. Maria Rodrigues de Araújo e deixou um casal de filhos menores. Sua esposa residia em São Pedro do Ivaí, no Estado do Paraná, e encontrava-se separada do marido na época do seu falecimento. O gesto teve ligações com o suicídio. O enterro ocorreu aqui mesmo em Venceslau.

Por volta das 6,30 h da manhã do dia 14 de novembro de 1958, o menor Francisco Albino Pereira, com 13 anos de idade, estudante do curso primário, filho de José Saturnino de Sousa e D. Maria Pimenta de Sousa, natural de Missão Velha, Estado do Ceará, conduzindo uma bicicleta, descia em grande velocidade a Rua Newton Prado quando, na esquina com a Rua Duque de Caxias, colidiu na traseira do caminhão chapa 36-48-62, de Londrina, conduzido pelo motorista José Soares Neto. O caminhão subia a Newton Prado e ao convergir à esquerda, executou a manobra na "contra-mão", "pois fechou muito a curva". O menor não teve tempo de desviar e bateu violentamente a cabeça na carroceria, sofrendo fratura na base do crânio, falecendo no local.

Lamentável desastre ocorreu na tarde do dia 24 de outubro de 1958, uma sexta-feira. Faleceu o Sr. Manoel Batista, português, casado, madeireiro, com 57 anos e figura muito conhecida e relacionada em Presidente Venceslau. Por volta das 15 h daquele dia, conduzido pelo motorista Arcílio Jorge Romão, com carregamento de 3 toras de madeira, pela Av. Dom Pedro II, em direção à Esplanada da Estrada de Ferro Sorocabana(V. Carmem), seguia o caminhão Chevrolet, de chapa 45-93-60. Ao atingir a confluência da avenida com a Rua Floriano Peixoto (esquina da Casa Carromeu), o motorista desviou do caminhão para não atingir um Jeep. Talvez, pelo excesso de velocidade, o carro não obedeceu aos freios e tombou. Manoel morreu imprensado no meio das toras e deixou a esposa D. Maria Batista e três filhos: Avelino, Manoel e Pedro.

No dia 12 de agosto de 1958, às 14 h, o soldado João Batista dos Santos pertencente à Polícia Florestal do Estado de São Paulo, destacado para o bairro do Rio do Peixe, em Presidente Venceslau, foi picado por uma cobra na altura do pescoço, tendo morte imediata. O desventurado miliciano, que contava 32 anos de idade, era natural de Garça e filho de Manoel Batista dos Santos e D. Sebastiana Alves. O soldado, estimado por todos, tinha a confiança dos superiores e foi enterrado depois de uma memorável homenagem.

A policia de Presidente Venceslau encontrou na manhã do dia 25 de junho de 1958, numa das ruas da Vila Tropical (Z.b.m), o cadáver de Agenor Gomes dos Santos, brasileiro, solteiro, natural de Conquista, Estado da Bahia, com 20 anos, motorista. Agenor recebeu violento golpe de faca na região ilíaca, percorreu mais de 60 metros, antes de falecer, pois foram encontrados rastros de sangue. O suspeito do crime era Manoel Carlos da Silva, de 23 anos, que apressadamente dirigiu-se para a Fazenda São José, em Marabá Paulista onde morava, pegou suas coisas e desapareceu.

No dia 03 de fevereiro de 1958, no Bairro Pederneiras, morreu a Sra. Tereza Conceição, esposa do Sr. Manoel Antonio Roda. O Sr. Roda achava-se no terreiro da habitação quando ouviu um pavoroso estrondo que sacudiu a moradia. Impelido por súbito pressentimento, correu em direção à cozinha, onde encontrou sua inditosa companheira, caída em decúbito dorsal, já sem vida e com parte do corpo enegrecida pela descarga fatídica. Pelo interior da cozinha erguiam-se, aqui e ali, densos novelos de fumaça, indicadores de princípio de incêndio. Dona Tereza deixou 8 filhos. Um mês antes deste fato, o mesmo sitiante perdeu 15 reses também por um raio.

Essa relação nos faz pensar: a morte deveria ser a coisa que mais ensina o homem. Há um ponto alto de sabedoria nela: somos pó. Gerações e gerações vão passando e teimamos em nada aprender. A nossa riqueza é aquilo que carregamos a todo o tempo. Nada mais...